Tomara
Que a tristeza te convença
Que a saudade não compensa
E que a ausência não dá paz
E o verdadeiro amor de quem se ama
Tece a mesma antiga trama
Que não se desfaz
E a coisa mais divina
Que há no mundo
É viver cada segundo
Como nunca mais...
Vinicius de Moraes
domingo, fevereiro 28, 2016
sábado, fevereiro 27, 2016
sexta-feira, fevereiro 26, 2016
quinta-feira, fevereiro 25, 2016
quarta-feira, fevereiro 24, 2016
terça-feira, fevereiro 23, 2016
segunda-feira, fevereiro 22, 2016
domingo, fevereiro 21, 2016
sábado, fevereiro 20, 2016
Os Heróis pão de cada dia ...
Às vezes não há direitos ...
O mal pagos
heróis doubleheader
ainda encontrou tempo para tudo.
Artesãos de seus sonhos
shapers de esperança eterna
herdada de seus antepassados
Mártires de uma causa antiga
sob o jugo do opressor genocida
o assassino e drabs
Fabricam a carruagem dourada
passear a decisão mentiroso
promessas ilusionistas
Que brotam de suas costas,
Despesas de viagem, prémios e viagens
legisladores props
agradecendo-lhes com um discurso desgastado
cada maio.
Às vezes não há direitos ...
e mal pagos
Os sorrisos abundam
embora eles falta pesos
Aqueles ... aqueles abaixo ....
que dão suas vidas para amanhã
aqueles acima são determinadas
pois é um ontem eterna ...
Assistentes para baixo para trabalhar maravilhas
para o orçamento de longo alcance
enquanto aqueles acima de fazer maravilhas
assim você sempre perder ...
Os verdadeiros heróis que não têm superpoderes
sua habilidade, talento, esforço e fé ...
Heróis pão de cada dia ...
Júlio Valencia
sexta-feira, fevereiro 19, 2016
quinta-feira, fevereiro 18, 2016
O Tempo
A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está à minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.
Mario Quintana
A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está à minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.
Mario Quintana
quarta-feira, fevereiro 17, 2016
O MEDO GLOBAL
Os que trabalham têm medo de perder o trabalho.
Os que não trabalham têm medo de nunca encontrar trabalho.
Quem não tem medo da fome, tem medo da comida.
Os automobilistas têm medo de caminhar e os pedestres têm medo de ser atropelados.
A democracia tem medo de recordar e a linguagem tem medo de dizer.
Os civis têm medo dos militares, os militares têm medo da falta de armas.
É o tempo do medo.
Medo da mulher à violência do homem e medo do homem à mulher sem medo.
Eduardo Galeano
Os que trabalham têm medo de perder o trabalho.
Os que não trabalham têm medo de nunca encontrar trabalho.
Quem não tem medo da fome, tem medo da comida.
Os automobilistas têm medo de caminhar e os pedestres têm medo de ser atropelados.
A democracia tem medo de recordar e a linguagem tem medo de dizer.
Os civis têm medo dos militares, os militares têm medo da falta de armas.
É o tempo do medo.
Medo da mulher à violência do homem e medo do homem à mulher sem medo.
Eduardo Galeano
terça-feira, fevereiro 16, 2016
segunda-feira, fevereiro 15, 2016
As diferenças tornam a vida mais bonita e colorida.
Há poesia em toda a criação divina,
Deus é o maior poeta de todos os
Tempos.
A música é a sobremesa da vida.
Acreditar, não faz de ninguém um tolo
Tolo é quem mente.
Filhos são presentes raros.
De tudo, o que fica é o seu nome e as lembranças
A cerca de suas ações.
Obrigada, desculpa, por favor,
são palavras mágicas, chaves que abrem
Portas para uma vida melhor
O amor... Ah, o amor...
O amor quebra barreiras, une facções,
destrói preconceitos, cura doenças...
Não há vida decente sem amor!
E é certo, quem ama, é muito amado.
Silvana Cervantes
Há poesia em toda a criação divina,
Deus é o maior poeta de todos os
Tempos.
A música é a sobremesa da vida.
Acreditar, não faz de ninguém um tolo
Tolo é quem mente.
Filhos são presentes raros.
De tudo, o que fica é o seu nome e as lembranças
A cerca de suas ações.
Obrigada, desculpa, por favor,
são palavras mágicas, chaves que abrem
Portas para uma vida melhor
O amor... Ah, o amor...
O amor quebra barreiras, une facções,
destrói preconceitos, cura doenças...
Não há vida decente sem amor!
E é certo, quem ama, é muito amado.
Silvana Cervantes
sábado, fevereiro 13, 2016
O barro é a palavra
que te devolve a
inocência perdida
o teu passaporte para
a criatura.
O teu modo de dizer o
que as pessoas
não te disseram
nunca.
O barro é a matéria
do teu canto
o ouro de tua botija
o amálgama de tua
cárie
o salário do teu
anonimato
teu sortilégio e tua
perdição.
O barro é teu sangue
coagulado que teima em protestar
o teu mistério se
consumindo
o teu sapato
estraçalhado na diáspora
o teu chapéu de luto
a tua solidão de
olhos fitos na vida.
FRANCISCO CARVALHO
sexta-feira, fevereiro 12, 2016
"Estou convencido de que se alguns Extraterrestres Desembarcassem amanhã no Brasil, haveria experts, Jornalistas, especialistas e Analistas de toda espécie para Explicar às pessoas que, no Fundo, não é uma coisa tão Extraordinária assim, que já Se tinha pensado nisso, que Até já existia há muito tempo Uma comissão especializada no Assunto. E, sobretudo, que Não há porque se afobar, pois Isso é problema do governo."
Félix Guattari
quarta-feira, fevereiro 10, 2016
Tudo mudou. Homens, coisas e animais mudaram de lã ou de pele. As palavras já não são as mesmas do tempo em que estudávamos gramática com os olhos míopes das professoras. Nádegas e pernas das mestras – objeto direto do nosso desejo – ofuscavam o interesse pela didática. Olho o mundo de todos os ângulos possíveis e tudo me parece oblíquo. É a civilização globalizada, a cultura de massa, a sagração do factóide, a fragmentação dos idiomas. Corta-se a palavra em frações microscópicas. A vida, o amor, a morte, a realidade:
tudo agora virou fast food.
Francisco Carvalho
tudo agora virou fast food.
Francisco Carvalho
terça-feira, fevereiro 09, 2016
Reclamar ou posso
Vamos celebrar a estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja de assassinos
Covardes, estupradores e ladrões
Vamos celebrar a estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso Estado, que não é nação
Celebrar a juventude sem escola
As crianças mortas
Celebrar nossa desunião
Vamos celebrar Eros e Thanatos
Persephone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade.
Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta de hospitais
Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
E todos os impostos
Queimadas, mentiras e sequestros
Nosso castelo de cartas marcadas
O trabalho escravo
Nosso pequeno universo
Toda hipocrisia e toda afetação
Todo roubo e toda a indiferença
Vamos celebrar epidemias:
É a festa da torcida campeã.
Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar um coração
Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado de absurdos gloriosos
Tudo o que é gratuito e feio
Tudo que é normal
Vamos cantar juntos o Hino Nacional
(A lágrima é verdadeira)
Vamos celebrar nossa saudade
E comemorar a nossa solidão.
Vamos festejar a inveja
A intolerância e a incompreensão
Vamos celebrar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente a vida inteira
E agora não tem mais direito a nada
Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta de bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror
De tudo isso - com festa, velório e caixão
Está tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou esta canção.
Venha, meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão.
Venha, o amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera -
Nosso futuro recomeça:
Venha, que o que vem é perfeição
Link: http://www.vagalume.com.br/legiao-urbana/perfeicao-com-trecho-da-musica-ao-vivo.html#ixzz3zcsV7WZL
Vamos celebrar a estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja de assassinos
Covardes, estupradores e ladrões
Vamos celebrar a estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso Estado, que não é nação
Celebrar a juventude sem escola
As crianças mortas
Celebrar nossa desunião
Vamos celebrar Eros e Thanatos
Persephone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade.
Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta de hospitais
Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
E todos os impostos
Queimadas, mentiras e sequestros
Nosso castelo de cartas marcadas
O trabalho escravo
Nosso pequeno universo
Toda hipocrisia e toda afetação
Todo roubo e toda a indiferença
Vamos celebrar epidemias:
É a festa da torcida campeã.
Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar um coração
Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado de absurdos gloriosos
Tudo o que é gratuito e feio
Tudo que é normal
Vamos cantar juntos o Hino Nacional
(A lágrima é verdadeira)
Vamos celebrar nossa saudade
E comemorar a nossa solidão.
Vamos festejar a inveja
A intolerância e a incompreensão
Vamos celebrar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente a vida inteira
E agora não tem mais direito a nada
Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta de bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror
De tudo isso - com festa, velório e caixão
Está tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou esta canção.
Venha, meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão.
Venha, o amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera -
Nosso futuro recomeça:
Venha, que o que vem é perfeição
Link: http://www.vagalume.com.br/legiao-urbana/perfeicao-com-trecho-da-musica-ao-vivo.html#ixzz3zcsV7WZL
segunda-feira, fevereiro 08, 2016
Conheça Francisco Carvalho.
O BICHO HOMEM
Que bicho é o homem
de onde ele veio
para onde vai?
Onde é que entra
de onde é que sai?
Que raio lhe acende
a chama da fúria?
O que é que sobra
da cesta básica
de sua penúria?
Que bicho é o homem
do que se enfeita?
Que mão o ampara
no chão de enigmas
em que se deita?
Que bicho é o homem
que mama no seio
da reminiscência?
E que embala a morte
em seu devaneio?
Que bicho é esse
que carrega o fardo
de uma dor medonha?
Que sucumbe ao charco
mas ainda sonha?
Que bicho vagueia
na treva hedionda?
Que pantera esguia
será mais veloz
do que a própria sombra?
O homem que tece
as malhas da lei.
Que bicho é o homem
que transforma em pêssegos
as fezes do rei?
Que bicho é o homem
que ama e desama
que afaga e magoa?
E que às vezes lembra
um anjo em pessoa?
O homem que vai
para a eternidade
num saco de lixo.
Que bicho é o homem
de salário fixo?
Que bicho é o homem
que trapaceia?
Que às vezes pensa
Que é mais brilhante
do que a papa-ceia?
Que bicho é esse
que escreve as vogais
das cinzas do pai?
— De onde ele veio
e para onde vai?
Que bicho é o homem
que se interroga?
léguas de volúpia
sonhos e utopias
tudo se evapora?
Que bicho é o homem
de argila e colostro
que lavra e semeia?
mas só colhe insônias
em lavoura alheia?
Os rastros do homem
no vento ou na água
são rastros de fera.
Mas que bicho é esse
que se dilacera?
O homem suplica
os deuses concedem.
Que bicho é o homem
que sempre regressa
às praias do Éden?
Que bicho é o homem
que escreve poemas
na aurora agônica
e depois acende
a fogueira atômica?
Que bicho te oferta
um ramo de rimas
e à sombra dos mortos
semeia gemidos
por sete Hiroximas?
Que bicho te espreita
aos olhos dos becos
onde os cães insones
mastigam as sombras
dos antigos donos?
Que bicho é o homem
que rasteja e voa
que se ergue e cai?
— De onde ele veio
e para onde vai?
Que bicho é o homem
de onde ele veio
e para onde vai?
Onde é que entra
de onde é que sai?
Para ouvir o poema musicado acesse.
O BICHO HOMEM
Que bicho é o homem
de onde ele veio
para onde vai?
Onde é que entra
de onde é que sai?
Que raio lhe acende
a chama da fúria?
O que é que sobra
da cesta básica
de sua penúria?
Que bicho é o homem
do que se enfeita?
Que mão o ampara
no chão de enigmas
em que se deita?
Que bicho é o homem
que mama no seio
da reminiscência?
E que embala a morte
em seu devaneio?
Que bicho é esse
que carrega o fardo
de uma dor medonha?
Que sucumbe ao charco
mas ainda sonha?
Que bicho vagueia
na treva hedionda?
Que pantera esguia
será mais veloz
do que a própria sombra?
O homem que tece
as malhas da lei.
Que bicho é o homem
que transforma em pêssegos
as fezes do rei?
Que bicho é o homem
que ama e desama
que afaga e magoa?
E que às vezes lembra
um anjo em pessoa?
O homem que vai
para a eternidade
num saco de lixo.
Que bicho é o homem
de salário fixo?
Que bicho é o homem
que trapaceia?
Que às vezes pensa
Que é mais brilhante
do que a papa-ceia?
Que bicho é esse
que escreve as vogais
das cinzas do pai?
— De onde ele veio
e para onde vai?
Que bicho é o homem
que se interroga?
léguas de volúpia
sonhos e utopias
tudo se evapora?
Que bicho é o homem
de argila e colostro
que lavra e semeia?
mas só colhe insônias
em lavoura alheia?
Os rastros do homem
no vento ou na água
são rastros de fera.
Mas que bicho é esse
que se dilacera?
O homem suplica
os deuses concedem.
Que bicho é o homem
que sempre regressa
às praias do Éden?
Que bicho é o homem
que escreve poemas
na aurora agônica
e depois acende
a fogueira atômica?
Que bicho te oferta
um ramo de rimas
e à sombra dos mortos
semeia gemidos
por sete Hiroximas?
Que bicho te espreita
aos olhos dos becos
onde os cães insones
mastigam as sombras
dos antigos donos?
Que bicho é o homem
que rasteja e voa
que se ergue e cai?
— De onde ele veio
e para onde vai?
Que bicho é o homem
de onde ele veio
e para onde vai?
Onde é que entra
de onde é que sai?
Para ouvir o poema musicado acesse.
domingo, fevereiro 07, 2016
ESTUDO
Subitamente descobrimos o acaso
na nuvem que passa pelo pássaro
ou no pássaro que soturnamente percorre a nuvem.
De repente aprendemos a flor das coisas
e os seus movimentos na paisagem.
De repente trocamos a imagem pela paisagem
a palmatória pela parábola.
De repente descobrimos que os espelhos nos evitam
que o amanhã pertence aos outros
que da janela somos observados
por super-homens de celulóide.
De repente é o metal do amor que silencia
no coração onde tudo é paisagem.
Subitamente compreendemos
que as palavras envelhecem com os homens
que o amor também envelhece
quando as palavras envelhecem.
Subitamente descobrimos o acaso
na nuvem que passa pelo pássaro
ou no pássaro que soturnamente percorre a nuvem.
De repente aprendemos a flor das coisas
e os seus movimentos na paisagem.
De repente trocamos a imagem pela paisagem
a palmatória pela parábola.
De repente descobrimos que os espelhos nos evitam
que o amanhã pertence aos outros
que da janela somos observados
por super-homens de celulóide.
De repente é o metal do amor que silencia
no coração onde tudo é paisagem.
Subitamente compreendemos
que as palavras envelhecem com os homens
que o amor também envelhece
quando as palavras envelhecem.
sábado, fevereiro 06, 2016
HERÓI
Herói não é o que vai irrigar as lavouras
da morte nos campos de batalha.
Não é o que volta das trincheiras minadas
de explosivos com medalhas no peito
mutilações no corpo e na alma.
Herói não semeia tulipas de sangue
ramalhetes de napalm e rosas de átomo.
— Não é o aventureiro que fez xixi na lua.
— Herói é o que vai todas as tardes à padaria
mais próxima buscar o pão ainda morno
para testemunhar o mistério da vida.
FRANCISCO CARVALHO
Herói não é o que vai irrigar as lavouras
da morte nos campos de batalha.
Não é o que volta das trincheiras minadas
de explosivos com medalhas no peito
mutilações no corpo e na alma.
Herói não semeia tulipas de sangue
ramalhetes de napalm e rosas de átomo.
— Não é o aventureiro que fez xixi na lua.
— Herói é o que vai todas as tardes à padaria
mais próxima buscar o pão ainda morno
para testemunhar o mistério da vida.
FRANCISCO CARVALHO
sexta-feira, fevereiro 05, 2016
Soneto de Fidelidade – Vinicius de Moraes
De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
quinta-feira, fevereiro 04, 2016
Não, não pense...temos colunistas que escrevem artigos sensacionais.
Bom tem algumas asneiras, afinal colunista da televisão tem que convencer, tem que vender, promessas em litros e kilos.
Um futuro para os burros espertos?
Sim, eu disse burros como eu e você que todo dias comemos, o que foi enlatado.
Digo com a mais absoluta certeza...pensar te faz um pessoa perigosa.
Bom tem algumas asneiras, afinal colunista da televisão tem que convencer, tem que vender, promessas em litros e kilos.
Um futuro para os burros espertos?
Sim, eu disse burros como eu e você que todo dias comemos, o que foi enlatado.
Digo com a mais absoluta certeza...pensar te faz um pessoa perigosa.
quarta-feira, fevereiro 03, 2016
Nosso dia
vai chegar
Teremos
nossa vez.
Não é
pedir demais:
Quero
justiça,
Quero trabalhar
em paz.
Não é
muito o que eu lhe peço
Eu quero
trabalho honesto
Em vez de
escravidão.
Deve
haver algum lugar
Onde o
mais forte
Não
consegue escravizar
Quem não
tem chance.
De onde
vem a indiferença
Temperada
a ferro e fogo?
Quem
aguarda os portões da fabrica?
terça-feira, fevereiro 02, 2016
Sente o
desafio e provoque um desempate:
Desarme a
armadilha e desmonte o disfarce.
Se afaste
do abismo
Faça do
bom-senso a nova ordem.
Não deixe
a guerra começar.
Pense
isso um pouco,
Não há
nada de novo.
Você vive
insatisfeito e não confia em ninguém
E não
acredita em nada
E agora é
isso cansaço e falta de vontade,
Mas, faça
do bom-senso a nova ordem:
Não deixe
a guerra começar.
segunda-feira, fevereiro 01, 2016
Paulo tinha fama de mentiroso. Um dia chegou em casa dizendo
que vira no campo dois dragões da independência cuspindo fogo e lendo
fotonovelas. A mãe botou-o de castigo, mas na semana seguinte ele veio contando
que caíra no pátio da escola um pedaço de lua, todo cheio de buraquinhos, feito
queijo, e ele provou e tinha gosto de queijo. Desta vez Paulo não só ficou sem
sobremesa como foi proibido de jogar futebol durante quinze dias. Quando o
menino voltou falando que todas as borboletas da Terra passaram pela chácara de
Siá Elpídia e queriam formar um tapete voador para transportá-lo ao sétimo céu,
a mãe decidiu levá-lo ao médico. Após o exame, o Dr. Epaminondas abanou a
cabeça: - Não há nada a fazer, Dona Coló. Este menino é mesmo um caso de
poesia.
Carlos Drummond de Andrade
domingo, janeiro 31, 2016
A princípio bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos. Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida, o cinema, o teatro: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas. E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar a luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito. É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Ter um parceiro constante pode ou não, ser sinônimo de felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio. Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade. Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar. É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo. Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade. Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormenta e provoca inquietude no nosso coração. Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade.
Martha Medeiros
sábado, janeiro 30, 2016
Se queres sentir a felicidade de amar, esquece tua alma! É a alma que estraga o amor. Só nas ilusões divinas a alma pode encontrar satisfação. Não em outra alma. Só emum deus ou fora do mundo. As almas são incomunicáveis. Deixa então seu corpo estender-se com outro corpo, porque os corpos se entendem, mas as almas não.
Manuel Bandeira
Manuel Bandeira
sexta-feira, janeiro 29, 2016
Não chame o meu amor de Idolatria
Nem de ídolo realce a quem eu amo,
Pois todo o meu cantar a um só se alia,
E de uma só maneira eu o proclamo.
É hoje e sempre o meu amor galante,
Inalterável, em grande excelência;
Por isso a minha rima é tão constante
A uma só coisa e exclui a diferença.
'Beleza, Bem, Verdade', eis o que exprimo;
'Beleza, Bem, Verdade', todo o acento;
E em tal mudança está tudo o que primo,
Em um, três temas, de amplo movimento.
'Beleza, Bem, Verdade' sós, outrora;
Num mesmo ser vivem juntos agora.
WS
Nem de ídolo realce a quem eu amo,
Pois todo o meu cantar a um só se alia,
E de uma só maneira eu o proclamo.
É hoje e sempre o meu amor galante,
Inalterável, em grande excelência;
Por isso a minha rima é tão constante
A uma só coisa e exclui a diferença.
'Beleza, Bem, Verdade', eis o que exprimo;
'Beleza, Bem, Verdade', todo o acento;
E em tal mudança está tudo o que primo,
Em um, três temas, de amplo movimento.
'Beleza, Bem, Verdade' sós, outrora;
Num mesmo ser vivem juntos agora.
WS
quinta-feira, janeiro 28, 2016
Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma
quarta-feira, janeiro 27, 2016
Ainda há pouco, era apenas uma estrela
Uma imensa tocha antes do mergulho
Agora vem à tona
Sua ira é intensa
E você deseja saber
Se há algo
Que possa acalmá-lo outra vez
Os pássaros
A lua cheia e todo o céu leitoso
E todas as formas da natureza
Mostravam a grandeza do mundo
Em lágrimas
Condenado como Ulisses
E como príamos
Morto com seus companheiros
Morto com seus companheiros
Morto.... Apareceu
No momento em que a lua ia se elevando
E todo pranto forma a imagem do homem
Uma imensa tocha antes do mergulho
Agora vem à tona
Sua ira é intensa
E você deseja saber
Se há algo
Que possa acalmá-lo outra vez
Os pássaros
A lua cheia e todo o céu leitoso
E todas as formas da natureza
Mostravam a grandeza do mundo
Em lágrimas
Condenado como Ulisses
E como príamos
Morto com seus companheiros
Morto com seus companheiros
Morto.... Apareceu
No momento em que a lua ia se elevando
E todo pranto forma a imagem do homem
terça-feira, janeiro 26, 2016
Como é por dentro outra pessoa? Quem é que o saberá sonhar? A alma de outrem é outro universo, com que não há comunicação possível, nem há verdadeiro entendimento. Nada sabemos da alma, senão da nossa. As almas dos outros são olhares, são gestos, são palavras, supondo-se qualquer semelhança no fundo. Entendemo-nos porque nos ignoramos. A vida que se vive é um desentendimento fluido, uma média alegre entre a grandeza que não há e a felicidade que não pode haver.
Fernando Pessoa
Fernando Pessoa
segunda-feira, janeiro 25, 2016
Mas olhe para todos ao seu redor e veja o q temos feito de nós e a isso considerado vitória de cada dia. Não temos amado, acima de todas as coisas.
Não temos aceito o que não se entende porque não queremos passar por tolos.
Temos amontoado coisas e seguranças por não nos termos um ao outro.
Não temos nenhuma alegria que já não tenha sido catalogada.
Temos construído catedrais, e ficando do lado de fora pois as catedrais que nós mesmos construímos, tememos que sejam armadilhas.
Não nos temos entregue a nós mesmos, pois isso seria o começo de uma vida larga e nós a tememos.
Temos evitado cair de joelhos diante do primeiro de nós que por amor diga: tens medo.
Temos organizado associações e clubes sorridentes onde se serve com ou sem soda. Temos procurado nos salvar mas sem usar a palavra salvação para não nos envergonharmos de ser inocentes.
Não temos usado a palavra amor para não termos de reconhecer sua contextura de ódio, de amor, de ciúme e de tantos outros contraditórios.
Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar nossa vida possível.
Muitos de nós fazem arte por não saber como é a outra coisa.
Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença, sabendo que nossa indiferença é angústia disfarçada.
Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso nunca falamos no q realmente importa. Falar no que realmente importa é considerado uma gafe.
Não temos adorado por termos a sensata mesquinhez de nos lembrarmos a tempo dos falsos deuses.
Não temos sido puros e ingênuos para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia possamos dizer “pelo menos não fui tolo” e assim não ficarmos perplexos antes de apagar a luz.
Temos sorrido em público do que não sorriríamos quando ficássemos sozinhos. Temos chamado de fraqueza a nossa candura.
Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo.
E a tudo isso consideramos a vitória nossa de cada dia
Clarice Lispector
domingo, janeiro 24, 2016
TALVEZ QUEM SABE ...
Talvez, quem sabe um dia, por uma alameda do zoológico, ela também chegará. Ela, que também amava os animais, Entrará sorridente assim como está na foto sobre a mesa. Ela é tão bonita, ela é tão bonita que, na certa, eles a ressuscitarão. O século trinta vencerá o coração destroçado já pelas mesquinharias. Agora vamos alcançar tudo o que não podemos amar na vida com o estrelar das noites inumeráveis. Ressuscita-me, ainda que mais não seja por que sou poeta e ansiava o futuro. Ressuscita-me lutando contra as misérias do cotidiano. Ressuscita-me, por isso ressuscita-me. Quero acabar de viver o que me cabe, minha vida, para que não mais existam amores servis. Ressuscita-me para que ninguém mais tenha De sacrificar-se por uma casa, um buraco. Ressuscita-me para que a partir de hoje, a partir de hoje, a família se transforme e o pai seja pelo menos o universo e a mãe seja no mínimo a terra, a terra, a terra.
Maiakovski
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