quinta-feira, outubro 29, 2015

Frio. Já é se dar o direito de ser frio. Que dia
Eu tento passar por ele incógnito. Me entra nos ossos.
É uma questão pessoal. Eu finjo que o frio não me ofende. Talvez se emende, porque o frio tem a delicadeza de um punhal

quarta-feira, outubro 28, 2015

O essencial é saber ver, mas isso, triste de nós que trazemos a alma vestida, isso exige um estudo profundo, aprendizagem de desaprender.
Eu prefiro despir-me do que aprendi, eu procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram e raspar a tinta com que me pintaram os sentidos, desembrulhar-me e ser eu.
 Alberto Caeiro

terça-feira, outubro 27, 2015

Quero escrever o romance do nada. Quero mostrar a mais secreta das suspeitas humanas: a de sua própria inutilidade. Quero insinuar que a religião do trabalho, em seus valores mais altos – a arte e o poema – é também esporte. Quero esmurrar as hipocrisias.
  Júlio Cortázar

segunda-feira, outubro 26, 2015

Uma televisão que não quer o artístico só se dirige ao público existente. A televisão que quer o artístico, vai buscar esse novo público.

domingo, outubro 25, 2015

Maria não consegue dormir. Sua cabeça não para e a carne está inquieta. É noite de chuva. A televisão está ligada, mas todas as atenções estão voltadas à sucessão de ideias e imagens que passam pelo seu corpo. Pensa nos filhos que nunca existiram; no abandono que sofreu dos pais, ao ser doada para um família mais pobre que a sua quando tinha apenas onze anos; nos amores que recusou por medo; na perda, por puro preconceito, do único homem que realmente amou; nos vícios que acumulou; na repartição pública em que passa parte essencial da sua vida; no aborto da sua irmã adotiva; na morte de sua mãe biológica; na doença cardíaca do pai; na fobia constante que sente ao comer; na morte; na angústia de estar sempre só. A cabeça dispara. Parece uma metralhadora de acusações. Ela quer dormir. Não consegue calma alguma. Há alguns meses parou de tomar Rivotril porque domou a síndrome do pânico. Não tem mais nenhum comprimido nos armários. Na televisão passa uma sessão de cinema nacional. Por que sempre escolhem os piores filmes? Volta a fervilhar sua mente. Os brancos da parede ficam mais brancos nestas noites. Pensou em ligar para alguém. Sentiu que seria meio inconveniente telefonar na alta madrugada. Que droga de vida! Lamenta não ter um amigo, um único ser com que pudesse comungar alguma intimidade não fugaz. As horas avançam e Maria continua acelerada. Um infarto, um câncer, um tombo no banheiro, um atropelamento, um tijolo sobre a cabeça, uma bactéria, um assalto, uma infecção aguda e generalizada, um afogamento repentino, um tiro nas têmporas, uma dose excessiva de comprimido. Maria pensa na morte de várias maneiras, mas não tem coragem de ir adiante. Desespera a vida; desespera mais a ideia do desaparecimento. Maria nunca alcançou a doçura. Até seu sorriso é negro. O brilho dos olhos se perde nas imensas e negras olheiras. Ela admite a si mesma que assim não dá mais, que se faz necessário achar uma rota de fuga, uma alternativa para tanto desespero. Os pássaros começam a cantar no pé de limoeiro que plantou na janela de seu quarto. A claridade começa a tingir o espaço. A chuva fina escorre pela vidraça. Maria levanta com a cabeça pesada e o corpo alquebrado. Já na cozinha, começa a fazer o café da manhã. Uma imensa xícara de café preto para espantar o cansaço. No quarto, a televisão anuncia que a semana toda será de chuva, que o índice de desemprego aumentou, que uma mãe atirou seu filho, com apenas um ano e três meses, do viaduto central. Maria olha para dentro da xícara de café. Fica alguns minutos se procurando dentro da negritude matinal.

sábado, outubro 24, 2015

MUDE - Edson Marques

sexta-feira, outubro 23, 2015

Assistindo o Fantástico mundo dos horrores que a TV insiste em fazer-me acreditar lembrei de Jean Rostand
"Não se preocupem, amigos. Não acontecerá nada do que temem. Acontecerá coisa pior!"

Ri sou sensível ao humor

quinta-feira, outubro 22, 2015

A estrela que há em mim se junta com o tucano que há em você e propõe: "vamos fazer uma República Utópica?".
O princípio da realidade passa com a sirene aberta, pára e nos autua em flagrante.
Adaptação livre de  Alex Polari

quarta-feira, outubro 21, 2015

Fazer política é passar do sonho às coisas, do abstrato ao concreto.
A política é o trabalho efetivo do pensamento social.
A política é a trama da história.
A política é a vida e a vida é o presente.
Nesse quadro, o instinto de conservação, o estertor agonizante do passado, se chama reação.
Já a gestação dolorosa, o parto sangrento do presente, se chama revolução.
José Carlos Mariátegui

terça-feira, outubro 20, 2015

Todo mundo aceita que ao homem cabe pontuar a própria vida: que viva em ponto de exclamação, se tiver a alma dionisíaca. Que viva em ponto de interrogação, em caso de filosofia ou de poesia. E que viva equilibrando-se entre vírgulas e sem pontuação (na política!). O homem só não aceita do homem que use a pontuação fatal: que use, na frase em que vive, o inevitável ponto final.

segunda-feira, outubro 19, 2015

Fernando Pessoa

A morte chega cedo,  Pois breve é toda vida  O instante é o arremedo  De uma coisa perdida.  O amor foi começado,  O ideal não acabou,  E quem tenha alcançado  Não sabe o que alcançou.  E tudo isto a morte  Risca por não estar certo  No caderno da sorte  Que Deus deixou aberto.



domingo, outubro 18, 2015

Toma-me, ó noite eterna, nos teus braços E chama-me teu filho. Eu sou um rei que voluntariamente abandonei O meu trono de sonhos e cansaços. Minha espada, pesada a braços lassos, Em mão viris e calmas entreguei; E meu cetro e coroa — eu os deixei Na antecâmara, feitos em pedaços Minha cota de malha, tão inútil, Minhas esporas de um tinir tão fútil, Deixei-as pela fria escadaria. Despi a realeza, corpo e alma, E regressei à noite antiga e calma Como a paisagem ao morrer do dia.

Fernando Pessoa

sábado, outubro 17, 2015

Quem fez mais mal à humanidade: a ciência, a religião ou os bancos?


sexta-feira, outubro 16, 2015

Tudo é novo pra quem é novo. Não ceder ao hábito, que é usura progressiva; e tudo se torna poeirento e cinza, tudo se torna igual ao que somos, tudo se parece e se repete, porque nós nos parecemos e nos repetimos. Seria preciso o homem se acrescentasse à criança, sem ela desprender-se, que a criança subsistisse dentro do homem, que fosse uma base para a construção de acréscimos sucessivos - que não a destruíssem, como acontece. Não basta ser apenas um primitivo, mas é preciso ser também um primitivo. Permanecer "primeiro" em presença das coisas primeiras: elementar diante do elementar; ser capaz de, sempre, transformar-se e não apenas ser: não imóvel, mas em movimento, em meio ao que é móvel; em contato incessante com o que transforma, transformando-se a si próprio, como a criança, entregue totalmente ao exterior, mas com esse retorno a si mesmo, que a criança não tem, em direção a um interior onde se recolhem e se ordenam as coisas.

Charles Ferdinand Ramuz

quinta-feira, outubro 15, 2015

Nós vamos ensinar a você o fervor.
Nossos atos se prendem a nós,
como ao fósforo sua luz.
Nos consome
é verdade,
mas fazem nosso esplendor.
E se nossa alma valeu alguma coisa
é por ter ardido mais intensamente do que outras.
Vamos ensinar a você o fervor.
Uma existência patética.
Não a tranquilidade.
Ser tranquilo é ser trágico.
Eu não almejo outro repouso que o sono da morte.
Espero depois de ter exprimido nesta terra
tudo que havia em mim.
Satisfeito morreu completamente.
Desesperado por fazer ainda mais.
Nossa vida há de ser diante de nós
como um copo de água gelada.
O copo úmido nas mãos de quem
tem febre e quer beber,
e bebe tudo de uma vez.
Sabendo que devia guardar,
mas não podendo tirar dos lábios o copo delicioso.
Tão fresca é a água
e tão apaziguadora da sede.

André Gide

quarta-feira, outubro 14, 2015

É... Vou fingir que sei e acredito. E quando finjo, sou alguém. Quando não finjo, já procuro fingir.
Lucas Lucinger

terça-feira, outubro 13, 2015

Hoje terça -feira, pergunto o que é cultura.
Cultura!... Cultura é tudo aquilo que o homem criou para tornar a vida vivível e a morte defrontável.
Aimée Césaire 

segunda-feira, outubro 12, 2015

Segunda-feira..E se...
E se nada acontecer?
Se os rostos deformados e os sentidos mendigos, os olhos famintos e as mãos que interrogam, a carne que sangra e afoga os desejos;
se tudo isso se transformar em cinza e ausência e a dúvida acenar ainda?
E se o silêncio pesar sobre o grito de angústia, se a esfinge recolher seu sorriso transfigurado, se todos os sonhos forem abortados... e se nada acontecer? E se tudo isso não tiver a menor importância?


Antônio Pinto de Medeiros Filho

domingo, outubro 11, 2015

O salto mortal é meu número especial nesta tarde de domingo.
Não tentarei o trapézio, por não saber voar sobre as cabeças que torcem para a corda arrebentar.
Pensando bem, abrirei a tarde falando ao respeitável público que farei a mágica final: desaparecer sem nunca ter sido visto por ninguém.
 Álvaro Alves de Faria

sábado, outubro 10, 2015

O sexo contém tudo: corpos, almas,
sentidos, provas, purezas, delicadezas, resultados, avisos, cantos, ordens, o mistério materno, o leite seminal,
Todas as esperanças, todos os benefícios, todas as dádivas paixões, amores, encantos, gozos da terra, todos os deuses, juízes, governos, pessoas no mundo e seus seguidores.
Tudo está contido no sexo como parte dele ou como sua razão de ser.

Walt Whitman

sexta-feira, outubro 09, 2015

Não basta fugir. É preciso fugir no bom sentido. Fugir do tédio, da fome, da guerra!... Não se deve fugir excentricamente. É preciso fugir concentricamente. Fugir o mundo, para poder reinventá-lo um dia. Quem sabe, maior, mais verdadeiro, mais essencial, mais justo.
Charles Ferdinand Ramuz

quinta-feira, outubro 08, 2015


Um autor escreveu apenas uma peça de teatro, a ser encenada uma única vez, e naquele que, era em sua opinião, o melhor teatro do mundo, dirigida pelo, também em sua opinião, o melhor diretor do mundo e representada apenas pelos melhores atores do mundo. Esse autor acomodou-se, antes ainda de abertas as cortinas da noite de estreia, no local mais apropriado da galeria, invisível ao público, lá ele posicionou seu fuzil automático e, abertas as cortinas, pôs-se a disparar um tiro mortal na cabeça de todo espectador que, em sua opinião, risse no momento errado. No final da apresentação, só restavam no teatro espectares mortos. Durante toda a encenação, os atores e o administrador do teatro não se deixaram perturbar um só instante pelo autor obstinado e seus tiros.

Niclaas Thomas Bernhard

quarta-feira, outubro 07, 2015

Essas coisas, quando caem no sangue, diluem consigo mesmas todos os tremores cardíacos. Essas coisas, nem tão completamente coisas, são corações e corpos, pequenas porções de um universo onde se enterram juntos o desejo e a teatralidade, álibis humanos de uma vida vagamente míope. Essas coisas, nem tão completamente coisas, são como silêncios e palavras: um eclipsa o outro.
Maurício Monteiro

terça-feira, outubro 06, 2015

No final da tarde, o poeta
Fecha as janelas, cerra
imaginadas cortinas,
encolhe suavemente as asas
e encara o mundo nas brancas quatro paredes. O tempo passeia finas unhas no final da tarde. O poeta mastiga o dia,
gosto neutro de sua boca que escorreu lerdo, morno, entre dedos inábeis e leves pancadas de chuva. No final da tarde, uma sombra se abaixa sobre as palavras. Sob as palavras, um abismo. E há ouro no céu de crepúsculo, há um besouro que agoniza na calçada, e ventos vindos do oeste.

Eunice Arruda

segunda-feira, outubro 05, 2015

Ó infelizes mortais, ó terra deplorável
Ó ajuntamento assustador de seres humanos! Eterna diversão de inúteis dores! Filósofos alienados que proclamam:“tudo vai bem”. Venham contemplar essas ruínas horrendas
esses destroços, esses farrapos, essas cinzas malditas, essas mulheres e essas crianças amontoadas sob mármores partidos, seus membros espalhados;
Cem mil desafortunados que a terra devora, que sangrando, dilacerados, e ainda palpitando enterrados sob seus tetos, sucumbem sem socorro, no horror de tormentas findando seus dias!
Diante dos gritos de suas vozes moribundas, do horror de suas cinzas ainda crepitantes, vocês dirão ;” é a conseqüência de leis eternas que um Deus livre e bom resolveu aplicar?!”
Vocês dirão, vendo esse amontoado de vítimas: “Deus vingou-se,e a morte deles é o preço de seus crimes?!”
Que crime, que falta cometeram essas crianças esmagadas e sangrentas sobre o seio materno? Lisboa, que não mais existe, teria mais vícios que Londres, que Paris, submersas em delícias?
Lisboa está destruída e dança-se em Paris.
espectadores tranqüilos , intrépidos espíritos, contemplando a desgraça desses moribundos, vocês procuram – em paz – as causas do desastre:
mas quando sentem os golpes dos fados inimigos, tornam-se mais humanos e choram como nós. creiam-me: quando a terra abre seus abismos, meu lamento é inocência e meu grito é verdade sempre cercados pelas crueldades do acaso,
pelo furor dos malvados, pelas armadilhas da morte experimentado o abalo de todos elementos,
companheiros de nossos males, permitam lastimá-los.
É o orgulho, dizem vocês, o orgulho sedicioso, que almeja que indo mal, nós possamos ser melhores. Vão interrogar as margens do tejo;
Escavem nos destroços dessa ruína sangrenta;
Perguntem aos moribundos nesse átimo de espanto se é o orgulho que grita “ Ó céu, socorre-me! Ó céu, tenha piedade da miséria humana!”
“Tudo vai bem – dizem vocês – e tudo é necessário”
Por acaso o universo, sem esse abismo, infernal, sem submergir Lisboa, estava sendo pior?
Voltaire

domingo, outubro 04, 2015

Os que tentam corrigir os males da nossa época com ideias que estão na moda – só porque estão na moda – corrigem a aparência viciada das coisas, mas não o fundo delas, que piora sempre.
Michel Eyquem de Montaigne

sábado, outubro 03, 2015

Nada é impossível de mudar,
Desconfiai do mais trivial,
na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente:
não aceiteis o que é de hábito como coisa natural,
pois em tempo de desordem sangrenta,
de confusão organizada,
de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada,
nada deve parecer natural
nada deve parecer impossível de mudar.

Bertolt Brecht

sexta-feira, outubro 02, 2015

Toda vez que um justo grita
um carrasco o vem calar
quem não presta fica vivo
quem é bom, mandam matar
quem não presta fica vivo
quem é bom, mandam matar

foi trabalhar para todos
e vede o que lhe acontece
daqueles a quem servia
já nenhum mais o conhece
quando a desgraça é profunda
que amigo se compadece?

Foi trabalhar para todos
mas, por ele, quem trabalha?
Tombado fica seu corpo
nessa esquisita batalha
suas ações e seu nome
por onde a glória os espalha?

Por aqui passava um homem
(e como o povo se ria!)
Que reformava este mundo
de cima da montaria
por aqui passava um homem
(e como o povo se ria!)
Ele na frente falava
e atrás a sorte corria

por aqui passava um homem
(e como o povo se ria!)
Liberdade ainda que tarde
nos prometia
Cecília Benevides de Carvalho Meireles

quinta-feira, outubro 01, 2015

Estou lúcido.
Estou vivo como as aves em migração.
Começo por amar a realidade... nunca declinei a vida.
Mesmo que tudo esteja contaminado e sem reverso, é a vida que nos povoa; é a vida por inteiro que nos vive!

António Teixeira e Castro

quarta-feira, setembro 30, 2015

Esquece o futuro. Ele não te pertence. O presente te basta. Mas é preciso ser rápido quando ele é mau presente, e andar devagar quando se trata de saboreá-lo. Expressões como “passar o tempo” espelham bem a maneira de viver dessa gente prudente, que imagina não haver coisa  melhor para fazer da vida. Deixam passar o presente, esquivam-se, ignoram o presente, como se estar vivo fosse coisa desprezível.
A natureza nos deu a vida em condições tão favoráveis, que só mesmo por nossa culpa ela poderá se tornar pesada e inútil.

Montaigne

terça-feira, setembro 29, 2015

Que diferença faz para os mortos, para os órfãos e para os excluídos, se a destruição se deu em nome da tirania ou em nome da liberdade?
Gandhi

segunda-feira, setembro 28, 2015

Não há sentido na nossa miséria. Fome não é prova de fortaleza, é apenas não ter comido! Esforço não é vergar as costas e arrastar, não é mérito!
A miséria não é condição das virtudes, meus amigos! E não me venham com a beleza das riquezas que fomos capazes de produzir!
Se a nossa gente fosse abastada e feliz, aprenderia as virtudes da abastança e da felicidade. Mas hoje, as virtudes dos pobres nascem... da pobreza!
Eu abomino isso! Sim, abomino! Ou vocês querem que eu minta a nossa gente?
Bertolt Brecht

domingo, setembro 27, 2015

Que idéia tenho eu das coisas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre deus, a alma e a criação do mundo?
O mistério das coisas? Sei lá o que é mistério!... O único mistério é haver quem pense no mistério.
A luz do sol vale mais que os pensamentos de todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz e por isso não erra.

Fernando Pessoa

sábado, setembro 26, 2015

O Brasil, o Brasil...
O Brasil não é apenas um mundo próprio, mas a soma absurda de uma infinidade de mundos subjetivos e de experiências rituais, que estão muito além do que qualquer sociologia, história ou psicologia conseguiria aprender.

sexta-feira, setembro 25, 2015

Nós vamos ensinar a você o fervor.
Nossos atos se prendem a nós,
como ao fósforo sua luz.
Nos consome
é verdade,
mas fazem nosso esplendor.
E se nossa alma valeu alguma coisa
é por ter ardido mais intensamente do que outras.
Vamos ensinar a você o fervor.
Uma existência patética.
Não a tranquilidade.
Ser tranquilo é ser trágico.
Eu não almejo outro repouso que o sono da morte.
Espero depois de ter exprimido nesta terra
tudo que havia em mim.
Satisfeito morreu completamente.
Desesperado por fazer ainda mais.
Nossa vida há de ser diante de nós
como um copo de água gelada.
O copo úmido nas mãos de quem
tem febre e quer beber,
e bebe tudo de uma vez.
Sabendo que devia guardar,
mas não podendo tirar dos lábios o copo delicioso.
Tão fresca é a água
e tão apaziguadora da sede.

André Gide

quinta-feira, setembro 24, 2015

A indiferença nada mais é que a incapacidade de perceber as diferenças.
É um estado anormal, no qual perde a nitidez a fronteira entre a luz e a escuridão, a alvorada e o crepúsculo, o crime e o castigo, a crueldade e a compaixão, o talento e a mediocridade.
Assim é a indiferença!

quarta-feira, setembro 23, 2015

É PURA INÉRCIA MENTAL SUPOR QUE, À MEDIDA QUE AVANÇA A HISTÓRIA, É MAIOR O ESPAÇO PARA QUE O HOMEM SE REALIZE COMO INDIVÍDUO.
NÃO! A HISTÓRIA ESTÁ CHEIA DE RETROCESSOS E É CERTAMENTE A ESTRUTURA DA VIDA EM NOSSA ÉPOCA O QUE MAIS IMPEDE O HOMEM DE VIVER COMO PESSOA.
 

José Ortega y Gasset

terça-feira, setembro 22, 2015

É possível que, no fundo, sempre restem algumas coisas para serem ditas. É possível também que o afastamento total só aconteça quando não mais restam essas coisas e a gente continua a buscar, a investigar — e principalmente a fingir. Fingir que encontra.

segunda-feira, setembro 21, 2015

Já tinha sido. Portanto, é como se fosse. Não ser mais... Não quer dizer nada. Se é, é e pronto. se foi, já foi. A realidade está aí, à vista de todos. Não há porque desconfiar. É tudo muito simples para se tornar Complicado. Há que aceitar os fatos Como são. Se são, são. Se não são, não são!... Mas, cá entre Nós, eles podem ser como se fossem Ou como poderiam ter sido. E é esse, exatamente,o nosso caso!Já tinha sido. Portanto, é como se fosse. Não ser mais... Não quer dizer nada. Se é, é e pronto. se foi, já foi. A realidade está aí, à vista de todos. Não há porque desconfiar. É tudo muito simples para se tornar Complicado. Há que aceitar os fatos Como são. Se são, são. Se não são, não são!... MasJá tinha sido. Portanto, é como se fosse. Não ser mais... Não quer dizer nada. Se é, é e pronto. se foi, já foi. A realidade está aí, à vista de todos. Não há porque desconfiar. É tudo muito simples para se tornar Complicado. Há que aceitar os fatos Como são. Se são, são. Se não são, não são!... Mas, cá entre Nós, eles podem ser como se fossem Ou como poderiam ter sido. E é esse, exatamente,o nosso caso!, cá entre Nós, eles podem ser como se fossem Ou como poderiam ter sido. E é esse, exatamente,o nosso caso!
Fernando Aguiar

domingo, setembro 20, 2015

Estes senhores da cidade, senhores compenetrados que já não sabem dançar à noite sob o luar, que já não sabem andar sobre a carne de seus pés, que já não sabem contar histórias noite adentro!... ora, escuta mundo branco! escuta nos seus argumentos grandiosos o seu miserável estertor. quanto a nós, negros, só nos resta a piedade. piedade para os nossos vencedores oniscientes e ingênuos! 
Léopold Senghor

sábado, setembro 19, 2015

Estou convencido de que se alguns Extraterrestres Desembarcassem amanhã no Brasil, haveria experts, Jornalistas, especialistas e Analistas de toda espécie para Explicar às pessoas que, no Fundo, não é uma coisa tão Extraordinária assim, que já Se tinha pensado nisso, que Até já existia há muito tempo Uma comissão especializada no Assunto. E, sobretudo, que Não há porque se afobar, pois Isso é problema do governo.

sexta-feira, setembro 18, 2015

Sou metade Quixote, metade Pinóquio, tramando mentiras e atos heroicos entre Gepetos e moinhos de vento. Sou de cinema, teatro, artista plástico. Maestro, letrado, fenômeno de mídia, sucesso no show-bizz (por mais que cresça o meu nariz...).
Sérgio Lara

quinta-feira, setembro 17, 2015

Os que tentam corrigir os males da nossa época com ideias que estão na moda – só porque estão na moda – corrigem a aparência viciada das coisas, mas não o fundo delas, que piora sempre.
Michel Eyquem de Montaigne

quarta-feira, setembro 16, 2015

Já tinha sido. Portanto, é como se fosse. Não ser mais... Não quer dizer nada. Se é, é e pronto. se foi, já foi. A realidade está aí, à vista de todos. Não há porque desconfiar. É tudo muito simples para se tornar Complicado. Há que aceitar os fatos Como são. Se são, são. Se não são, não são!... Mas, cá entre Nós, eles podem ser como se fossem Ou como poderiam ter sido. E é esse, exatamente,o nosso caso!Já tinha sido. Portanto, é como se fosse. Não ser mais... Não quer dizer nada. Se é, é e pronto. se foi, já foi. A realidade está aí, à vista de todos. Não há porque desconfiar. É tudo muito simples para se tornar Complicado. Há que aceitar os fatos Como são. Se são, são. Se não são, não são!... MasJá tinha sido. Portanto, é como se fosse. Não ser mais... Não quer dizer nada. Se é, é e pronto. se foi, já foi. A realidade está aí, à vista de todos. Não há porque desconfiar. É tudo muito simples para se tornar Complicado. Há que aceitar os fatos Como são. Se são, são. Se não são, não são!... Mas, cá entre Nós, eles podem ser como se fossem Ou como poderiam ter sido. E é esse, exatamente,o nosso caso!, cá entre Nós, eles podem ser como se fossem Ou como poderiam ter sido. E é esse, exatamente,o nosso caso!
Fernando Aguiar

terça-feira, setembro 15, 2015

Recuso-me a encontrar antigos amigos e queimaduras de segundo grau.
Não quero submeter-me a comparações nem convencê-los de que estou diferente... Sendo igual.
Manias serão vistas como defeitos. Depois, como traços de personalidade, até que sejam transformadas em virtudes.
Ter se acostumado um com o outro não significa que avançamos.
Seremos sempre residências geminadas se correspondendo pelos muros.

Fabrício Carpinejar

segunda-feira, setembro 14, 2015

Todo mundo aceita que ao homem cabe pontuar a própria vida: que viva em ponto de exclamação, se tiver a alma dionisíaca. Que viva em ponto de interrogação, em caso de filosofia ou de poesia. E que viva equilibrando-se entre vírgulas e sem pontuação (na política!). O homem só não aceita do homem que use a pontuação fatal: que use, na frase em que vive, o inevitável ponto final.
João Cabral de Mello Neto

domingo, setembro 13, 2015

Eu te peço perdão por te amar tão de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção para os teus ouvidos
Das noites que eu passei bebendo em tua boca
O perfume das palavras e dos sorrisos
Eu lembro das noites que passei acalentado
Pela graça invisível dos teus passos eternamente fugindo
Eu sou dos que aceitam, melancolicamente
E posso te dizer que a grande dor de minha alma
Não traz o exaspero
É uma unção, um transbordamento
Só para dizer que eu te amo

Vinícius de Moraes

sábado, setembro 12, 2015

O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato
O amor comeu meus cartões de visita
O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas
O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minha dieta
O amor comeu todos os meu livros de poesia
O amor comeu meu Estado, minha cidade
O amor comeu minha paz, minha guerra, meu dia e minha noite
Meu inverno, meu verão
Comeu meu silencia, minha dor de cabeça
O meu medo da morte
João Cabral de Melo Neto

sexta-feira, setembro 11, 2015

Tudo mudou. Homens, coisas e animais mudaram de lã ou de pele. As palavras já não são as mesmas do tempo em que estudávamos gramática com os olhos míopes das professoras. Nádegas e pernas das mestras – objeto direto do nosso desejo – ofuscavam o interesse pela didática. Olho o mundo de todos os ângulos possíveis e tudo me parece oblíquo. É a civilização globalizada, a cultura de massa, a sagração do factóide, a fragmentação dos idiomas. Corta-se a palavra em frações microscópicas. A vida, o amor, a morte, a realidade:
tudo agora virou fast food.

Francisco Carvalho

quinta-feira, setembro 10, 2015

Cultura!... Cultura é tudo aquilo que o homem criou para tornar a vida vivível e a morte defrontável.

quarta-feira, setembro 09, 2015

E se nada acontecer?
Se os rostos deformados e os sentidos mendigos, os olhos famintos e as mãos que interrogam, a carne que sangra e afoga os desejos;
se tudo isso se transformar em cinza e ausência e a dúvida acenar ainda?
E se o silêncio pesar sobre o grito de angústia, se a esfinge recolher seu sorriso transfigurado, se todos os sonhos forem abortados... e se nada acontecer? E se tudo isso não tiver a menor importância?


Antônio Pinto de Medeiros Filho 

terça-feira, setembro 08, 2015

Ó infelizes mortais, ó terra deplorável
Ó ajuntamento assustador de seres humanos! Eterna diversão de inúteis dores! Filósofos alienados que proclamam:“tudo vai bem”. Venham contemplar essas ruínas horrendas
esses destroços, esses farrapos, essas cinzas malditas, essas mulheres e essas crianças amontoadas sob mármores partidos, seus membros espalhados;
Cem mil desafortunados que a terra devora, que sangrando, dilacerados, e ainda palpitando enterrados sob seus tetos, sucumbem sem socorro, no horror de tormentas findando seus dias!
Diante dos gritos de suas vozes moribundas, do horror de suas cinzas ainda crepitantes, vocês dirão ;” é a conseqüência de leis eternas que um Deus livre e bom resolveu aplicar?!”
Vocês dirão, vendo esse amontoado de vítimas: “Deus vingou-se,e a morte deles é o preço de seus crimes?!”
Que crime, que falta cometeram essas crianças esmagadas e sangrentas sobre o seio materno? Lisboa, que não mais existe, teria mais vícios que Londres, que Paris, submersas em delícias?
Lisboa está destruída e dança-se em Paris.
espectadores tranqüilos , intrépidos espíritos, contemplando a desgraça desses moribundos, vocês procuram – em paz – as causas do desastre:
mas quando sentem os golpes dos fados inimigos, tornam-se mais humanos e choram como nós. creiam-me: quando a terra abre seus abismos, meu lamento é inocência e meu grito é verdade sempre cercados pelas crueldades do acaso,
pelo furor dos malvados, pelas armadilhas da morte experimentado o abalo de todos elementos,
companheiros de nossos males, permitam lastimá-los.
É o orgulho, dizem vocês, o orgulho sedicioso, que almeja que indo mal, nós possamos ser melhores. Vão interrogar as margens do tejo;
Escavem nos destroços dessa ruína sangrenta;
Perguntem aos moribundos nesse átimo de espanto se é o orgulho que grita “ Ó céu, socorre-me! Ó céu, tenha piedade da miséria humana!”
“Tudo vai bem – dizem vocês – e tudo é necessário”
Por acaso o universo, sem esse abismo, infernal, sem submergir Lisboa, estava sendo pior?

segunda-feira, setembro 07, 2015

O céu está nas nuvens. Altas passam as nuvens.
Ninguém as possui. Ninguém!
Podes vender-me um dólar de água da fonte?
Um nuvem grávida, crespa e suave como uma ovelha?
Ou, quem sabe, água chovida das montanhas, água dos charcos?
Água dos charcos, abandonada aos cães?
Ou uma légua de mar, talvez um lago?

A água cai e corre. A água corre. Passa.
Ninguém a possui. Ninguém.

Podes vender-me terra?
A profunda noite das raízes, dentes de dinossauros,
A cauda espessa de longínquos esqueletos?
Podes vender-me selvas já sepultadas, aves mortas,
Peixes de pedra, enxofre dos vulcões,
Milhões e milhões de anos em espiral crescendo?
Podes vender-me terra?
Podes vender-me?
Podes?

A tua terra é terra minha, todos os pés se apoiam nela.
Ninguém a possui. NINGUÉM!


 Nicolás Guillén

domingo, setembro 06, 2015


Quero lhe implorar
Para que seja paciente
Com tudo o que não está resolvido em seu coração e tente amar.
As perguntas como quartos trancados e como livros escritos em língua estrangeira.
Não procure respostas que não podem ser dadas porque não seria capaz de vivê-las. E a questão é viver tudo. Viva as perguntas agora.
Talvez assim, gradualmente, você sem perceber, viverá a resposta num dia distante.
Rainer Maria Rilke

sábado, setembro 05, 2015

Sobre as pesquisas científicas, ratos brancos murmuram nos laboratórios: "Eles não se atreveriam a fazer isso com os ursos polares".

sexta-feira, setembro 04, 2015

Não, não posso dizer que sou e se digo logo me chamam de "desumilde"....pode? 
Mas o que me conforta é lembrar o que o Arthur disse: 
"Quem fez da modéstia uma virtude esperava que todos passassem a falar de si próprios como se fossem idiotas.
O que é a modéstia senão uma humildade hipócrita, através da qual um homem pede perdão por ter as qualidades e os méritos que os outros não têm?"


Arthur Schopenhauer 

quinta-feira, setembro 03, 2015

Ouvi dizer que o meu filho vai ter nome de santo, aí lembrei do Alex.
Quando meu filho nascer, não façam desta vida um estandarte, nem acenem para ele com esperanças de melhores tempos.

Quem garante?
 Alex Polari

quarta-feira, setembro 02, 2015

Brincando de pensar, lembrei em um numero especial para o povo brasileiro.
O salto mortal é meu número especial nesta tarde de domingo.
Não tentarei o trapézio, por não saber voar sobre as cabeças que torcem para a corda arrebentar.
Pensando bem, abrirei a tarde falando ao respeitável público que farei a mágica final: desaparecer sem nunca ter sido visto por ninguém.
 Álvaro Alves de Faria

terça-feira, setembro 01, 2015

A adolescência é um tribunal inesperado.
O julgamento do pai pelo filho.
O julgamento do filho pelo pai. Mas em alguns casos pode  surgir de repente um psicoterapeuta para impetrar um habeas corpus.
Paulo Mendes Campos

segunda-feira, agosto 31, 2015

Não se espantem, meus amigos: tudo já foi dito alguma vez. Tudo. Mas como ninguém escuta, é preciso dizer de novo.
 André Gide

domingo, agosto 30, 2015

Todo mundo aceita que ao homem cabe pontuar a própria vida: que viva em ponto de exclamação, se tiver a alma dionisíaca. Que viva em ponto de interrogação, em caso de filosofia ou de poesia. E que viva equilibrando-se entre vírgulas e sem pontuação (na política!). O homem só não aceita do homem que use a pontuação fatal: que use, na frase em que vive, o inevitável ponto final

sexta-feira, agosto 28, 2015

Eu não quero o fácil, o manso, o maleável.
Não são para mim o claro, o concluso.
Eu quero o amargo, o áspero, o cortante fios das lâminas e o ardor.
Venha o impuro, o dolorido rasgar das entranhas e o derramar do fel garganta abaixo.
Abandonei as amplas claras praças, esquadrinhos, becos, as vielas esconsas inexatas.
Eu sigo no rumo estreito da incerteza com lascas me ferindo a palma e olho.
Entre cacos e gumes, entre gritos sem respostas.
E nem sei afinal se estou morrendo.


Deni Gomes

quinta-feira, agosto 27, 2015

Faz parte da cultura de um povo a ligação que vai de irmão
a irmão; o que sofre e o que não; a carência e a fartura.
Guerra de capoeira, Santos da devoção, orixás de terreiro canção.
A palavra, a pintura, a pedra, a construção são parte da cultura.
Porém, a quanta sede resistirá um cérebro?
Porém quanto é que pesa um pesadelo?
Quanta tristeza mata o sorriso e a alma?
Quanto tempo há num homem antes da morte?
Faz parte da cultura de um povo a sua altura de um povo o seu poder.
Cultura é o que é e o que pode ser.
A cultura de um povo é esse sofrimento todo,
E a alegria de um dia o povo renascer.


Renata Pallottini

quarta-feira, agosto 26, 2015

Diariamente reuniam-se para assistir aos noticiários de tv e aguardavam a programação noturna como um ritual familiar. Entre eles havia muita proximidade afetiva e poucas palavras balbuciadas nos intervalos comerciais. Entretanto, tinham um pacto de cumplicidade que dispensava a quebra do silêncio. Em algumas cenas, todos coravam, mas sabiam da vida o bastante para entender que muitas coisas não deveriam nunca dizer.

Ézio Deda

terça-feira, agosto 25, 2015

A criança come o barro pensando comer o ovo. Diz a gente grande: é verme. Não, é fome. A cena se repete, e ela pode comer o descampado inteiro. Uma besta rosnando quieta, babando como cão raivoso.Andemos por esse pátio ausente de morangos. Dividamos nossas fomes, bebamos nossos próprios sangues. A cidade é de Deus, aqui nunca é outono. Nem Bob Esponja faz rir o lábio do menino que descasca. Frieza no sol a pino de quarenta graus. Amamentemos de fúria a ética inventada pelo homem. Pois “cuspe” é a palavra inventada para engolir a seco a mosca que nos tornamos nós!
Araripe Coutinho

segunda-feira, agosto 24, 2015

Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.

domingo, agosto 23, 2015

Não quero alguém que morra de amor por mim...

Só preciso de alguém que viva por mim, que queira estar junto de mim, me abraçando.

Não exijo que esse alguém me ame como eu o amo, quero apenas que me ame, não me importando com que intensidade.
Não tenho a pretensão de que todas as pessoas que gosto, gostem de mim...

Nem que eu faça a falta que elas me fazem, o importante pra mim é saber que eu, em algum momento, fui insubstituível...
E que esse momento será inesquecível...

Só quero que meu sentimento seja valorizado.
Quero sempre poder ter um sorriso estampando em meu rosto, mesmo quando a situação não for muito alegre...
E que esse meu sorriso consiga transmitir paz para os que estiverem ao meu redor.

sábado, agosto 22, 2015

Os que tentam corrigir os males da nossa época com ideias que estão na moda – só porque estão na moda – corrigem a aparência viciada das coisas, mas não o fundo delas, que piora sempre.
 Montaigne

sexta-feira, agosto 21, 2015

“Nunca amamos ninguém. Amamos, tão somente, a ideia que fazemos de alguém. É a um conceito nosso - em suma, é a nós mesmos - que amamos. Isso é verdade em toda a escala do amor.”

Fernando Pessoa

quinta-feira, agosto 20, 2015

“Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É saber falar de si mesmo. É não ter medo dos próprios sentimentos”

Fernando Pessoa

quarta-feira, agosto 19, 2015

“Ser feliz é encontrar força no perdão, esperanças nas batalhas, segurança no palco do medo, amor nos desencontros. É agradecer a Deus a cada minuto pelo milagre da vida.”

Fernando Pessoa

terça-feira, agosto 18, 2015

Hábito
Quando se quer treinar um falcão, basta uma luva, um pedaço de carne e uma cordinha pra amarrar o falcão. Depois de algum tempo voando assim, o coitado se acostuma e nunca vai além desse limite — mesmo que se lhe tire a corda dos pés. Assim é com a gente: nos amarraram desde pequeninos, e agora fica difícil voar para mais longe do que o "tamanho da cordinha"...
Nossos "pontos de vista" quase nunca são totalmente nossos. Foram colocados em nossa cabeça. Temos, portanto, que ir além deles. Caso contrário, nunca iremos além do limite que as circunstâncias anteriores nos impuseram. Lembre-se do falcão, e procure voar para mais longe. Para lugares que fiquem além do comprimento da cordinha...

Edsom Marques

segunda-feira, agosto 17, 2015

Aconteceu na Argentina, início de 2002, em plena guerra contra o povo os bancos tinham confiscado depósitos. Norberto Higlish aposentado, doente, desesperado lançou-se ao assalto de uma fortaleza financeira na mão uma granada: “ou me dão o meu dinheiro, o meu dinheiro só, o meu, só o que é meu ou vamos todos explodir!”. Claro que a granada era de brinquedo, mas lhe devolveram o dinheiro. Depois foi preso. O promotor pediu de oito a dezesseis anos de prisão, para ele que foi buscar o seu dinheiro, não para o banco.

domingo, agosto 16, 2015

Hoy estoy sin saber yo no sé cómo 
hoy estoy para penas solamente, 
hoy no tengo amistad, 
hoy sólo tengo ansias 
de arrancarme de cuajo el corazón 
y ponerlo debajo de un zapato. 
Hoy reverdece aquella espina seca, 
hoy es día de llantos en mi reino, 
hoy descarga en mi pecho el desaliento 
plomo desalentado. 

No puedo con mi estrella, 
y me busco la muerte por las manos 
mirando con cariño las navajas, 
y recuerdo aquel hacha compañera, 
y pienso en los más altos campanarios 
para un salto mortal serenamente. 

Si no fuera ¿por qué? no se por qué, 
mi corazón escribiría una postrera carta, 
una carta que llevo ahí metida, 
haría un tintero de mi corazón, 
una fuente de sílabas, de adioses y regalos, 
y ahí te quedas, al mundo le diría. 

Yo nací en mala luna. 
Tengo la pena de una sola pena 
que vale más que toda la alegría. 

Un amor me ha dejado con los brazos caídos 
y no puedo tenderlos hacia más. 
¿No veis mi boca qué desengañada, 
que inconformes mis ojos? 

Cuanto más me contemplo más me aflijo: 
cortar este dolor ¿con qué tijeras? 

Ayer, mañana, hoy 
padeciendo por todo 
mi corazón, pecera melancólica, 
penal de ruiseñores moribundos. 

Me sobra el corazón. 

Hoy descorazonarme, 
yo el más descorazonado de los hombres, 
y por el más, también el más amargo. 
No sé por qué, no sé por qué ni cómo 
me perdono la vida cada día