terça-feira, junho 24, 2014

Estou sendo roubado.
Quero contar ao mundo que estou sendo roubado.
De mil formas e modos estou sendo roubado.
Sei que os ladrões me roubam por necessidade, ou quero crer que me roubem por necessidade. É doído demais pensar que são ladrões vulgares que roubam já por hábito ou simples vocação, que estão acostumados, que já se acomodaram, que me tomam por fraco ou indefeso (na verdade, sou fraco e indefeso).
Esses ladrões se valem da distância e da surpresa, de aleivosia e de noturnidade.
É um crime hediondo porque premeditado. Roubam-me porque crêem que tenho mais do que eles. Coisa, aliás, que às vezes é verdade.
Estamos sendo todos fartamente roubados.
Quadrilhas nascem como pés de alface. Passaram os pedintes a gatunos, passaram os larápios a assaltantes.
Se inquiridos, enganam.
Se interrogados, mentem.
São capazes até de devolver-te a culpa.
Passei a ser refém dos meliantes. Ameaçam sorrindo com os seus dentes brancos, dizem que passam fome e ostentam suas armas. E se não pagas, matam a quem seqüestram (que também, pode ser, é seu assecla.)
Quero que saibam todos: a miséria, a indolência, os becos sem saída, os cortiços de barro, os antigos solares com árvores gigantes, os plátanos, os caldos, as raízes.
Come quem pode. Os machetes já estão embainhados.
Mas também dos palácios saem gatunos. Organizam-se todos, falam celulares, trepidam os anexos, sacodem-se os andares. Sacerdotes ministram, ministros se refazem. Vêm também das montanhas e dos verdes mares, sobretudo em carríssimos blindados, com os seus ternos claros e gravatas, principalmente das florestas, pobres delas, também das praias, das cidades e das praças, de avenidas, à beira-mar plantadas, onde à noite pululam namorados (onde se pode eventualmente ser roubado), como num baile, como num parque, como em um banco de estado.
cuidado, cavalheiros, estais sendo roubados. se não sois os ladrões, estais sendo roubados. também, por outro lado, se os sois, mas descuidados...
dolorido e cansado, como se em minha mão estivesse uma chave abrindo a casa de antes, onde as mães dominavam. as mães, essas matronas que, ensinadas, ensinavam e só pariam filhos que pudessem guardar.
Que não se esqueça a praça e os meus amigos ouçam: estou sendo roubado. Pouco importa o motivo: importa o lucro líquido, a casa com adornos mais ou menos ridículos, o dinheiro do taxi, o dinheiro do lixo, o dinheiro da roupa e o da gasolina, o dinheiro pessoal. Em pleno socialismo, os ideais perdidos, os ideais perdidos...
E estou sendo roubado de uma esperança antiga de supor que era lícito ser limpo, de supor que era certo a um compromisso responder com cumpri-lo, de lições muito antigas de fenianos e de democratas. Quando era o carnaval, o tempo de viver desordem transitória, quando beber era uma alegria própria e o perfume dos bailes era só perfume. Os democratas...
Estou sendo roubado, enfim, de ser, de estar, de minha morte certa e indisponível, dos meus dentes na cova e os bronzes dos sepulcros (perdoai-me o mau gosto e os mais tumultos) e os relógios de pulso.
Senador, ditador, senhor, onde o esconso do maior escondido deste mundo?
Sobre o autor: Renata Pallottini

segunda-feira, junho 23, 2014

Histórias não contadas nas Escolas
Em 1532, o conquistador Pizarro aprisionou o inca Atahualpa, em Cajamarca. Pizarro prometeu-lhe a liberdade se o inca enchesse de ouro um grande quarto. Desde os quatro cantos do Império, o ouro chegou e abarrotou o quarto até o teto. Assim mesmo, Pizarro mandou matar o prisioneiro. Desde quando as primeiras caravelas apontaram no horizonte, até nossos dias, a história das Américas é uma história de traição à palavra: promessas quebradas, pactos descumpridos, documentos assinados e esquecidos, enganos, ciladas. “Te dou minha palavra” pouco mais quer dizer do que... nada! Não teríamos que aprender com os índios? Os primeiros habitantes das Américas – derrotados pela pólvora, pelos vírus, pelas bactérias e pela mentira – compartilham a certeza de que a palavra é sagrada. Um indígena mapuche, ao sul do Chile, diz: “para nós, ainda hoje, a palavra continua sendo o maior dos monumentos”. Um indígena avá-guarani, no Paraguai, diz: “a palavra vale porque é nossa alma. Não precisamos colocá-la no papel para que nos creiam. Na Guatemala, em 1995, já no período que chamam “democrático”, militares executaram a matança da comunidade indígena de Xamán. Havia uma montanha de provas que condenavam os assassinos. A secretária que transcreveu o auto processual cometeu um erro ortográfico na qualificação penal: escreveu “ejecusión” com “s” em vez de “c”. Os advogados do exército sustentaram que esse delito, escrito assim, com “s”, não existe. O promotor protestou: foi ameaçado de morte e partiu para o exílio.
 Eduardo Galeano

sexta-feira, junho 20, 2014

Pensamento do DIA

Todo espírito preocupado com o futuro é infeliz.
O mais corriqueiro dos erros humanos é o futuro. Ele falseia a nossa imaginação, ainda que ignoremos totalmente onde nos leva.
Quando pensamos no futuro, nunca estamos em nós. Estamos sempre além.
O medo, o desejo, a esperança jogam-nos sempre para o futuro, sonegando-nos o sentimento e o exame do que é, para distrair-nos com o que será, embora o tempo passe e já não sejamos mais.

Montaigne
2° Parte de Verdades e Mitos da Cozinha

11. choque térmico nos ovos cozidos facilita descascá-los - VERDADE
Ao mergulhar o ovo cozido em água gelada, ele se contrai e se separa mais da casca, o que facilita, portanto, descascá-lo. Para retirar a película, prefira mantê-los submersos. Lembre-se de que os ovos mais frescos têm qualidade superior, mas, ao mesmo tempo, cascas mais coladas à clara.
*


12. O arroz deve ser cozido com a panela aberta para não empapar- MITO
Se respeitada a receita de duas medidas de água para uma de arroz, ele ficará soltinho.O fogo deve ser desligado antes de acabar o cozimento. Em seguida, o arroz deve descansar com a panela fechada, por cerca de dez minutos, para que os grãos absorvam a água e o cozimento seja concluído. O arroz empapa quando tem muita água e é excessivamente cozido.*

13. Ferver batatas em molhos ajuda a 'corrigir' o excesso de sal - VERDADE
Batatas absorvem sal. Em um molho com muito sódio dissolvido, a batata funciona como uma esponja. "A concentração de sal dentro da batata será a mesma do molho, a diferença é que você pode retirá-la de lá, deixando o molho mais equilibrado. É como 'pescar' o sal", diz o químico Cassius Vinicius Stevani.*

14. Para evitar que a manteiga não queime no fogo, misture óleo - MITO
A manteiga integral começa a se decompor ao atingir 120°C -com ou sem a presença do óleo vegetal, que queima a uma temperatura mais alta, de 190°C.*

15. Sal na água acelera a fervura- MITO
Água pura no nível do mar ferve a 100ºC. Com sal, ela ferve a uma temperatura mais elevada, portanto, demora mais para ferver. "Adicionar sal na água é algo que deve ser feito apenas pelo sabor", diz o químico Cassius Vinicius Stevani.*

16. A cerveja gela mais rápido se estiver submersa em gelo misturado com sal - VERDADE
Se respeitada a proporção de três medidas de gelo para uma de sal grosso, a temperatura do gelo cai para -7ºC. "O gelo dura mais porque o sal absorve calor da água para se dissolver -por isso é importante que haja cristais de sal e não sal refinado", explica o químico Cassius Vinicius Stevani.*

17. Para que as batatas fiquem crocantes após a fritura é preciso deixá-las de molho na água gelada- MITO
A batata precisa estar com a menor concentração de água possível. A água esfria o óleo e, portanto, diminui o choque térmico. Este, por sua vez, é o que sela o tubérculo e faz com que ele fique crocante no processo de fritura. O ideal, inclusive, é fritar a batata duas vezes. Na primeira, a 120°C, ela será selada; na segunda, a 180°C, quando o tubérculo já não "soltar" mais água, será dourada.*

18. Colocar água fria no macarrão depois de cozinhá-lo, para que fique 'al dente' - MAIS OU MENOS
A água fria interrompe o cozimento do macarrão e essa técnica pode ser usada se a massa não for servida imediatamente -que é o ideal. Neste caso, basta colocar azeite, para que não grude e, na hora de servir, lavar e reaquecer a massa. Isso não é necessário, porém, se a massa for cozida no tempo indicado na embalagem e servida em seguida.*

19. Óleo na água de cozimento do macarrão faz a massa não grudar- MITO
Para não grudar, o macarrão deve ser cozido em bastante água (um litro para 100 g de massa) e deve ser mexido constantemente nos primeiros minutos de cocção. A água abundante dilui o amido e permite que a massa cozinhe por igual, sem grudar. No mais, colocar óleo na água "faz com que o molho escorregue da massa", diz a chef Fernanda Surian, da Dedo de Moça.*

20.Ovos devem estar em temperatura ambiente para serem cozidos - VERDADE
Com o aumento da temperatura, o ar que está dentro do ovo se expande e, se o aquecimento for rápido, a pressão interna pode fazer com que a fina casca se rompa. O processo deve começar em água natural. Além disso, adicionar sal à água pode ajudar a coagular a clara, caso a casca se rompa.

terça-feira, junho 17, 2014

Quanto Vale a Vida

Quanto vale a vida de qualquer um de nós?
Quanto vale a vida em qualquer situação?
Quanto valia a vida perdida sem razão?
Num beco sem saída, quando vale a vida?
São segredos que a gente não conta
São contas que a gente não faz
Quem souber quanto vale, fale em alto e bom som
Quantas vidas vale o tesouro nacional?
Quantas vidas cabem na foto do jornal?
Às sete da manhã, quanto vale a vida
Depois da meia-noite, antes de abrir o sinal?
São segredos que a gente não conta
(Faz de conta que não quer nem saber)
Quem souber, fale agora ou cale-se para sempre
Quanto vale a vida acima de qualquer suspeita?
Quanto vale a vida debaixo dos viadutos?
Quanto vale a vida perto do fim do mês?
Quanto vale a vida longe de quem nos faz viver?
São contas que a gente não faz
Coisas que o dinheiro não compra
Perguntas que a gente não faz:
Quanto vale a vida?
Nas garras da águia
Nas asas da pomba
Em poucas palavras
No silêncio total
No olho do furacão
Na ilha da fantasia
Quanto vale a vida?
Quanto vale a vida na última cena
Quando todo mundo pode ser herói?
Quanto vale a vida quando vale a pena?
Quanto vale quando dói?
São coisas que o dinheiro não compra
Perguntas que a gente não faz:
Quanto vale a vida?
Vale a pena?
E H

segunda-feira, junho 16, 2014

A onde comer no Cetro de São Paulo


Salada Record - Localizado na Av.São João, 719 - 01035-100 (Centro ou República) São Paulo - Telefone: (11) 3223-1881.
Esse Restaurante e Bar e excelente opção para quem está a passeio ou negócios. Ambiente descontraído, onde tem-se variadas opções no cardápio.
A noite a calçada é tomada pelas mesas...fica uma “farra” e de sobra você acompanha as bandas do Bar Brahma...que vizinho de parede...
Visitei 14-06-2014 de 2014
5 de 5 estrelas - Custo-benefício
5 de 5 estrelas - Ambiente
5 de 5 estrelas - Atendimento
5 de 5 estrelas - Comida

Ps: Tem Virado a Paulista todo dia...uma iguaria, com um pequeno preço.






sexta-feira, junho 13, 2014

Mito ou Verdade? Hoje veremos os 10 primeiro manhã
os 10 restantes...Comente o que achou..ok? 

quinta-feira, junho 12, 2014

A Fábula
Era uma vez um planeta mecânico
Lógico, onde ninguém tinha dúvidas
Havia nome pra tudo e para tudo uma explicação
Até o pôr-do-sol sobre o mar era uma gráfico
Adivinhar o futuro não era coisa de mágico
Era um hábito burocrático, sempre igual
Explicar emoções não era coisa ridícula
Havia críticos e métodos práticos
Cá pra nós, tudo era muito chato
Era tudo tão sensato, difícil de agüentar
Todos nós sabíamos decor
Como tudo começou e como iria terminar
Mas de uma hora pra outra
Tudo que era tão sólido desabou, no final de um século
Raios de sol na madrugada de um sábado radical
Foi a pá de cal, tão legal
Não sei mais de onde foi que eu vim
Por que é que estou aqui
E para onde devo ir
Cá pra nós, é bem melhor assim
Desconhecer o início e ignorar o fim
Da fábula

Vai começar: A Copa nada tem a ver com nossas mazelas

12 de junho de 2014
Sete longos anos nos separam daquela reunião de autoridades brasileiras com dirigentes da Fifa, em Zurique. Estava lá cobrindo pela RBS. Todos festejaram de forma ruidosa a escolha do Brasil para sediar a Copa. Por aqui, muitos acharam ótimo e não se ouviu nem viu protestos. Tudo foi misturado. Erradamente. A Copa é um evento que nada tem a ver com nossas mazelas. Já que gastamos muito convoco os brasileiros a recuperar o investimento. Turistas geram impostos. A conta pode ser paga.
Gabriel Lain / Agência RBS
Gabriel Lain / Agência RBS
Segurança
Uma pessoa me desafiou pelas redes sociais a falar sobre os R$ 2 bilhões que serão gastos pelo governo para a segurança no Mundial. Aprovo esse cuidado necessário em um grande evento. Presidentes de muitos países virão, haverá gente de todos os lados do mundo, jogadores famosos. Claro que se faz necessário segurança para todos. O que lamento é que daqui  a 30 dias voltaremos à insegurança absoluta de nossos dias no Brasil inteiro.
Preocupação
O jogo de hoje é o mais complicado desta fase de grupos. Felipão deve saber disso. Sendo estreia, ainda complica mais.  Será preciso encurtar o campo tirando os espaços de contra-ataque dos croatas. Eles têm jogadores experientes que saberão enfrentar o Brasil. Confesso que esse jogo me preocupa.
Demaiisssss
O brasileiro tem comportamento que me agrada muito. As seleções que chegaram foram muito bem recebidas. Viamão nos deu grande exemplo. Nos treinos, vemos públicos de 8 mil a 10 mil pessoas. Sem falar que os ingressos são disputados a tapa por muita gente.
Demenos
O eloquente discurso da presidente Dilma Roussef não condiz com a realidade. O governo fracassou. Fora do campo, o Brasil perdeu a Copa. Dilma desafiou os que diziam que os estádios não estariam prontos. Alguns não estão mesmo. Os aeroportos não foram duplicados. Veja o Salgado Filho. A Fifa quase enlouqueceu com a nossa baderna. Erramos demais.
Postado por Pedro Ernesto, às 7:00

quarta-feira, junho 11, 2014

O Brasil cresceu visivelmente nos últimos 80 anos
Cresceu mal, porém
Cresceu como um boi mantido
Desde bezerro dentro de uma jaula de ferro
A nossa jaula são as estruturas sociais medíocres
Inscritas nas leis
Para compor um País da pobreza na província mais bela da Terra
Sendo assim, do Brasil do futuro
A maioria da gente nascerá e viverá nas ruas
Em fome canina e ignorância figadal
Enquanto a minoria rica, com medo dos pobres
Se recolherá em confortáveis campos de concentração
Cercado de arame farpado e eletrificado
Entretanto, tão fácil nos livrarmos dessas teias
E tão necessário que dói em nós
A nossa conivência culposa

Darcy Ribeiro

terça-feira, junho 10, 2014

Quando dois seres humanos estão perfeitamente contentes um com o outro, podemos assegurar-nos: eles estão completamente enganados.

Goethe

segunda-feira, junho 09, 2014

Tinha acabado de me levantar, quando a Louise transpôs a porta de cabelo apanhado ao alto com um travessão de tartaruga.
Sentia-lhe o cheiro do vapor do banho das fortes essências. Essências silvestres do sabonete.
Estendeu os braços, ofereceu-me ternamente a face.
Levei-lhe as duas mãos à boca e beijei-as lentamente. Memorizando assim, a forma dos nós de seus dedos.
Eu não só desejava a carne de Louise como também os seus ossos, o seu sangue, os seus tecidos, os tendões que a mantém unida.
Eu tê-la-ia segurado junto a mim, apesar de o tempo lhe desgastar os tons e a textura da pele.
Podia tê-la segurado mil anos. Até o próprio esqueleto ficar reduzido a pó.
Que tens tu que me fazes sentir assim? Quem és tu que o tempo não tem sentido para ti?
No calor das suas mãos pensei: É a fogueira que torça o Sol. Esse lugar há de aquecer e me alimentar, de cuidar de mim, agarrar-me.
Esse pulsar contra outros ritmos.
O mundo subirá e vazará com a maré do dia, mas aqui está a sua mão com o meu futuro na sua palma.
Ela disse: Vem pra cima.


Autor: Jeanette Winterson

quarta-feira, junho 04, 2014

Da velocidade 5 ao Lepo Lepo

Onde está a música? Você pode encontrá-la nas cordas vibrando, no bater dos martelos, nos dedos que tocam as teclas, nas notas escritas na partitura e até nos impulsos no cérebro do pianista. Mas são apenas códigos. A realidade da musica é uma forma invisível, misteriosa e difusa que desperta algo nas pessoas sem estar presente no mundo físico.
 
Sobre o autor: Deepak Chopra

Às vezes me perguntam... 

Autor: Jean-Claude Carrière

Às vezes me perguntam como eu, escritor e roteirista, reajo ao poder das novas tecnologias que transformaram o mundo da palavra escrita. Eu me divirto inventando uma história que em meados do século XIX alguém pergunta a Gustave Flaubert, grande escritor, se a substituição das canetas com pena de ganso, pelas canetas com pena de metal mudou a literatura francesa. E faço Flaubert responder: acho que não, mas mudou a vida dos gansos

quinta-feira, maio 29, 2014

Todo espírito preocupado com o futuro é infeliz.

O mais corriqueiro dos erros humanos é o futuro. Ele falseia a nossa imaginação, ainda que ignoremos totalmente onde nos leva.

Quando pensamos no futuro, nunca estamos em nós. Estamos sempre além.

O medo, o desejo, a esperança jogam-nos sempre para o futuro, sonegando-nos o sentimento e o exame do que é, para distrair-nos com o que será, embora o tempo passe e já não sejamos mais.

Sobre o autor: Montaigne

quarta-feira, abril 30, 2014

Tempos quase modernos

Não gosto muito de reclamar das coisas da vida, mas a telefonia móvel no Brasil.....meu Deus, como é ruim. Já tentei reclamar no 0800 ou *155, *171 mas vivo em um inferno mais ou menos parecido fazer compras no dia 24 de dezembro..... pensaram???? Pois é isso mesmo. O fato é que na era da robótica eu não quero ser atendindo por uma maquina, quero ligar e falar com uma pessoa de preferência educada e preparada.
Bobagem....o que importa é o Brasil ser campeão...
Acostume-se parga muito e não ter direito a quase nada..
Boa noite

Cenas do centro de São Paulo

A cidade nas mãos de aventureiros...
 Eu voltava do trabalho por volta das 23h na rua Vitória (Centro), altura da avenida São João, sentido Rio Branco. Quando um carro, modelo cedam preto, foi abordado por um dos "noías" que circulam e agem livremente na região, praticando pequenos, médios e grandes delitos. O motorista assustado saiu em disparada, parando o automóvel  em cima da faixa de pedestre com o farol vermelho.
   De início, quando observei uma viatura estacionada na calçada da Rio Branco, pensei que estava seguro. Entretanto,  o soldado sacou do seu talão de multas na frente do veiculo e efetuou uma multa. No seu olhar ainda pude verificar,  um certo ar de ironia, cumprindo seu papel de servidor publico e ajudando O Estado a arrecadar mais.
   Eu digo bem feito para este motorista, que pensa que pode sair pelas ruas do Centro de São Paulo impune. Acho que o possivel assalto sairia mais barato!

Loucura

Nós não podemos falar nada sobre nós e a nossa época, sem começarmos por definir a loucura.

Como é que se explica que nós sejamos seres dotados de razão, enquanto a nossa sociedade é tão ligada à loucura?
Como as pessoas que tem toda a sua razão podem agir como se estivessem loucas e acreditar nas idéias loucas que a sociedade lhe impõe?
Nós podemos encontrar uma resposta com aqueles que perderam a razão.
O que é que os deixou loucos?
As pessoas ficam assim quando não chegam a criar uma relação funcional e prática com a sociedade e com a realidade.
O que eles fazem?
Eles criam uma sociedade que é uma realidade para eles.
Eles ficam loucos para não perder a sua razão.
A sua loucura é a explicação que eles dão para a loucura que eles encontram no mundo.
Vida

Acreditávamos que mudaríamos o mundo, a noite, sonhávamos e, durante o dia, comíamos os sonhos da padaria em frente.
Alex Polari

alvaro tito não ha barreiras voz e violão.wmv

domingo, dezembro 01, 2013

Arte tem que ter ambição. Kynorama: kyno, cinema, rama, espaço. Cinema integral: o próprio filme é a sala de projeção. Você entra na sala, ali dentro é um filme. Tudo é o filme. Arte tem que ter ambição. A arte  invenção é oinconsciente do artista, a arte é delirante. Arte tem que ter ambição. Kynovida: ela me comeu e foi embora, pois nada mais safado que o amor. Arte tem que ter ambição. Utopia incendiária das esperanças.
Jomard Muniz de Britto

segunda-feira, junho 03, 2013

OS QUE LUTAM
Há aqueles que lutam um dia; e por isso são muito bons; 
Há aqueles que lutam muitos dias; e por isso são muito bons; 
Há aqueles que lutam anos; e são melhores ainda; 
Porém há aqueles que lutam toda a vida; esses são os imprescindíveis.
Bertolt Brecht

segunda-feira, abril 08, 2013

Vivemos num tempo de chantagem universal, que toma duas formas complementares de escárnio: há a chantagem da violência e a chantagem do entretenimento. Uma e outra servem sempre para a mesma coisa: manter o homem simples longe do centro dos acontecimentos. 

domingo, abril 08, 2012

A princípio bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos. Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida, o cinema, o teatro: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas. E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar a luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito. É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Ter um parceiro constante pode ou não, ser sinônimo de felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio. Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade. Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar. É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo. Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade. Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormenta e provoca inquietude no nosso coração. Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade.
 Martha Medeiros
Feliz aniversário

Um momento especial de renovação para sua alma e seu espírito, porque Deus, na sua infinita sabedoria, deu à natureza, a capacidade de desabrochar a cada nova estação e a nós capacidade de recomeçar a cada ano. 
Desejo a você, um ano cheio de amor e de alegrias. 
Afinal fazer aniversário é ter a chance de fazer novos amigos, ajudar mais pessoas, aprender e ensinar novas lições, vivenciar outras dores e suportar velhos problemas. 
Sorrir novos motivos e chorar outros, porque, amar o próximo é dar mais amparo, rezar mais preces e agradecer mais vezes. 
Fazer Aniversário é amadurecer um pouco mais e olhar a vida como uma dádiva de Deus. 
É ser grato, reconhecido, forte, destemido. 
É ser rima, é ser verso, é ver Deus no universo; 
Parabéns a você nesse dia tão grandioso.
Você está no meio de uma guerra. Uma batalha entre os limites de uma multidão buscando a rendição dos seus sonhos e o poder da sua verdadeira visão para criar e contribuir.

É uma luta entre aqueles que irão dizer o que você não pode fazer e aquela parte de você que sabe, e sempre soube, que nos somos mais do que o nosso meio ambiente e que um sonho - apoiado por uma vontade incessante de alcança-lo, é verdadeiramente uma realidade com chegada iminente.

Tony Robbins

terça-feira, novembro 22, 2011

Eu sei mas não devia - Marina Colassanti

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor.
E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.
E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.
E porque não abre as cortinas logo se acostuma a acender cedo a luz.
E a medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora.
A tomar o café correndo porque está atrasado.
A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem.
A comer sanduiche porque não dá para almoçar.
A sair do trabalho porque já é noite.
A cochilar no ônibus porque está cansado.
A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir.
A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.
A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita.

E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.
E a pagar mais do que as coisas valem.
E a saber que cada vez pagará mais.
E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma à poluição.
Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.
À luz artificial de ligeiro tremor.
Ao choque que os olhos levam na luz natural.
Às bactérias de água potável.
Agente se acostuma a coisas demais, para não sofrer.

Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá.
Se a praia está contaminada a gente molha só os pés e sua no resto do corpo.
Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.
Se o trabalho está duro a gente se consola pensando no fim de semana.
E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida.
Que aos poucos se gasta, e que gasta de tanto se acostumar, e se perde de si mesma.

quinta-feira, outubro 20, 2011

Leia - Paul Valéry

 Ler deveria ser proibido III


O homem que trabalha, que minimamente ganha a vida, que leia! Leia em casa, no ônibus, no metrô. Leia naquela hora que os meios de comunicação devoram contando casos de polícia, bobagens incoerentes, mexericos e fatos muito menores, cuja confusão e abundância parecem feitas para aturdir e simplificar grosseiramente os espíritos.
Leia... Leia!

terça-feira, outubro 04, 2011

Texto de Edson Marques

De novo, vale a pena..

Meu bisavô, no início do século passado, aos 60 anos de idade, abandonou tudo e apareceu por aqui, trazendo no colo uma adolescente para ser sua mulher: uma enorme loucura...

Mas ele era um homem rebelde, um homem que não desistia. então abandonou tudo:
As propriedades e as impropriedades que a elas se ligam, a esposa controladora, os filhos perplexos, fazendas, noras, netos, e velhas emoções...
Tudo por Vitalina: por aquela menina delicada e de cabelos longos ele abandonaria o mundo.
Por ela, abandonou cabeças de gado e todas as "certezas" que lhe haviam dado.
Jogou fora o velho baú de premissas usadas. Pela possibilidade aberta de uma nova vida, tomou aquelas decisões que só os grandes homens conseguem tomar: montou o cavalo negro do risco absoluto e partiu!
Já sabia que o único crime que não tem perdão é desperdiçar a vida. Abandonou tudo para não ter que se abandonar, para não ter que abandonar a própria existência.
Não fosse por isso eu não estaria aqui, agora.
Sou, portanto, bisneto da rebeldia.
Bisneto da rebeldia, neto da emoção, filho da loucura, irmão do desejo, primo do prazer, amigo da liberdade, e amante de todos os meus amores.
E existo, por incrível que pareça!
No céu da minha boca não há fogos de artifício. Só estrelas!

Sêmen - Bráulio Tavares e Siba

Foi um sêmen plantado com meu nome nos antigos rincões da mata virgem. A raiz, de tão dura, ninguém come, porque nela plantei a minha origem. Ensinar o caminho eu não sei. Das mil vezes que lá passei, nunca pude guardar o seu desenho. Como posso saber de onde venho, se a semente profunda não toquei?
Como posso saber a minha idade se meu tempo passado não conheço?
Se a lembrança não tem capacidade, como posso me ver desde o começo?
Se não olho pra trás com claridade, que futuro obscuro aguardarei?
Como posso saber de onde venho se a semente profunda não toquei?
Tantos povos se cruzam nessa terra, que a roleta dos genes nunca erra: o mais puro padrão é o mestiço. Como posso pensar ser brasileiro, enxergar minha própria diferença, se olhando ao redor vejo a imensa semelhança que liga o mundo inteiro? Como posso saber quem vem primeiro, se o começo eu jamais alcançarei?
Como posso saber de onde venho se a semente profunda não toquei?

quinta-feira, julho 07, 2011

Jorge Luís Borges - Poeta argentino....sim tem coisa boa lá.

Eu sou Mephistópheles. Mephistópheles, é o diabo. E todos vocês são Faustos. Faustos, os que vendem a alma ao diabo.

Tudo é vaidade neste mundo vão, tudo é tristeza, é pop, é nada. Quem acredita em sonhos é porque já tem a alma morta. O mal da vida cabe entre nossos braços e abraços.
Mas eu não sou o que vocês pensam. Eu não sou exatamente o que as Igrejas pensam. As Igrejas abominam-me. Deus me criou para que eu o imitasse de noite. Ele é o Sol, eu sou a Lua.
A minha luz paira sobre tudo que é fútil: margens de rios, pântanos, sombras.
Quantas vezes vocês viram passar uma figura velada, rápida, figura que lhe darei toda felicidade. Figura que te beijaria indefinidamente. Era eu. Sou eu.
Eu sou aquele que sempre procuraste e nunca poderá achar. Os problemas que atormentam os Deuses. Quantas vezes Deus me disse citando João Cabral de Melo Neto: Ai de mim, ai de mim. Quem sou eu?
Quantas vezes Deus me disse: Meu irmão, eu não sei quem eu sou.
Senhores, venham até mim, venham até mim, venham. Eu os deixarei em rodopios fascinantes, vivos nos castelos e nas trevas, e nas trevas vocês verão todo o esplendor.
De que adianta vocês viverem em casa como vocês vivem? De que adianta pagar as contas no fim do mês religiosamente, as contas de luz, gás, telefone, condomínio, IPTU?
Todos vocês são Faustos. Venham, eu os arrastarei por uma vida bem selvagem através de uma rasa e vã mediocridade, que é o que vocês merecem.
As suas bem humanas insaciabilidade, terão lábios, manjares, bebidas.
É difícil encontrar quem não queira vender sua alma ao diabo.
As últimas palavras de Goethe ao morrer foram: Luz, luz, mais luz!!

terça-feira, maio 31, 2011

Renda-se! - Clarice Lispector

Renda-se como eu me rendi.
Mergulhe no que você não conhece, como eu mergulhei.
Pergunte, sem querer, a resposta, como estou perguntando.
Não se preoucupe em "entender".
Viver ultrapassa todo o entendimento.

Ser Verdadeiro

Verdadeiros seres humanos são aqueles que tratam seus companheiros com equanimidade, sinceridade, gentileza, tato, respeito e amor.
Isto é espiritualidade na ação. A pessoa que corporifica tais qualidades torna-se próxima à natureza de Deus. A distância entre a verdade dela e a verdade Dele é de apenas um pensamento.

sexta-feira, abril 08, 2011

Vamos festejar a inveja, a intolerância e a incompreensão.
Vamos festejar a violência e esquecer a nossa gente, que trabalhou honestamente a vida inteira e agora não tem mais
direito a nada.
Vamos celebrar a aberração de toda a nossa falta de bom senso. Nosso descaso por educação.
Renato Russo

quarta-feira, março 16, 2011

Escolho meus amigos pela tulipa - Oscar Wilde

Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.

A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco! Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice! Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois ao vê-los loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.

Uma Arte - Elizabeth Bishop

A arte de perder não é nenhum mistério

tantas coisas contém em si o acidente
de perdê-las, que perder não é nada sério.

Perca um pouco a cada dia. Aceite austero,
a chave perdida, a hora gasta bestamente.

A arte de perder não é nenhum mistério.

Depois perca mais rápido, com mais critério:
lugares, nomes, a escala subsequente
da viagem não feita. Nada disso é sério.


Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero
lembrar a perda de três casas excelentes.


A arte de perder não é nenhum mistério.


Perdi duas cidades lindas. Um império
que era meu, dois rios, e mais um continente.


Tenho saudade deles. Mas não é nada sério.


Mesmo perder você ( a voz, o ar etéreo, que eu amo)
não muda nada. Pois é evidente
que a arte de perder não chega a ser um mistério
por muito que pareça (escreve) muito sério.

terça-feira, fevereiro 15, 2011

Canto Para A Minha Morte - Raul Seixas

Eu sei que determinada rua que eu já passei

Não tornará a ouvir o som dos meus passos.
Tem uma revista que eu guardo há muitos anos
E que nunca mais eu vou abrir.


Cada vez que eu me despeço de uma pessoa
Pode ser que essa pessoa esteja me vendo pela última vez
A morte, surda, caminha ao meu lado
E eu não sei em que esquina ela vai me beijar


Com que rosto ela virá?
Será que ela vai deixar eu acabar o que eu tenho que fazer?
Ou será que ela vai me pegar no meio do copo de uísque?
Na música que eu deixei para compor amanhã?
Será que ela vai esperar eu apagar o cigarro no cinzeiro?
Virá antes de eu encontrar a mulher, a mulher que me foi destinada,
E que está em algum lugar me esperando
Embora eu ainda não a conheça?


Vou te encontrar vestida de cetim,
Pois em qualquer lugar esperas só por mim
E no teu beijo provar o gosto estranho
Que eu quero e não desejo,mas tenho que encontrar
Vem, mas demore a chegar.
Eu te detesto e amo morte, morte, morte
Que talvez seja o segredo desta vida
Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida


Qual será a forma da minha morte?
Uma das tantas coisas que eu não escolhi na vida.
Existem tantas... Um acidente de carro.
O coração que se recusa abater no próximo minuto,
A anestesia mal aplicada,
A vida mal vivida, a ferida mal curada, a dor já envelhecida
O câncer já espalhado e ainda escondido, ou até, quem sabe,
Um escorregão idiota, num dia de sol, a cabeça no meio-fio...


Oh morte, tu que és tão forte,
Que matas o gato, o rato e o homem.
Vista-se com a tua mais bela roupa quando vieres me buscar
Que meu corpo seja cremado e que minhas cinzas alimentem a erva
E que a erva alimente outro homem como eu
Porque eu continuarei neste homem,
Nos meus filhos, na palavra rude
Que eu disse para alguém que não gostava
E até no uísque que eu não terminei de beber aquela noite...


Vou te encontrar vestida de cetim,
Pois em qualquer lugar esperas só por mim
E no teu beijo provar o gosto estranho que eu quero e não desejo,mas tenho que encontrar
Vem, mas demore a chegar.
Eu te detesto e amo morte, morte, morte
Que talvez seja o segredo desta vida
Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida

segunda-feira, janeiro 24, 2011

Autor: Fabricio Carpinejar

Pensando nas pessoas que querem que eu mude, publico:

RECUSO-ME A ENCONTRAR ANTIGOS AMIGOS E QUEIMADURAS DE SEGUNDO GRAU.

NÃO QUERO SUBMETER-ME A COMPARAÇÕES NEM CONVENCÊ-LOS DE QUE ESTOU DIFERENTE... SENDO IGUAL.
MANIAS SERÃO VISTAS COMO DEFEITOS. DEPOIS, COMO TRAÇOS DE PERSONALIDADE, ATÉ QUE SEJAM TRANSFORMADAS EM VIRTUDES.
TER SE ACOSTUMADO UM COM O OUTRO NÃO SIGNIFICA QUE AVANÇAMOS.
SEREMOS SEMPRE RESIDÊNCIAS GEMINADAS SE CORRESPONDENDO PELOS MUROS.

terça-feira, janeiro 04, 2011

Se os tubarões fossem homens - Bertolt Brecht (1898-1956)

Se os tubarões fossem homens, eles seriam mais gentís com os peixes pequenos. Se os tubarões fossem homens, eles fariam construir resistentes caixas do mar, para os peixes pequenos com todos os tipos de alimentos dentro, tanto vegetais, quanto animais. Eles cuidariam para que as caixas tivessem água sempre renovada e adotariam todas as providências sanitárias cabíveis se por exemplo um peixinho ferisse a barbatana, imediatamente ele faria uma atadura a fim de que não moressem antes do tempo. Para que os peixinhos não ficassem tristonhos, eles dariam cá e lá uma festa aquática, pois os peixes alegres tem gosto melhor que os tristonhos.

Naturalmente também haveria escolas nas grandes caixas, nessas aulas os peixinhos aprenderiam como nadar para a guela dos tubarões. Eles aprenderiam, por exemplo a usar a geografia, a fim de encontrar os grandes tubarões, deitados preguiçosamente por aí. Aula principal seria naturalmente a formação moral dos peixinhos. Eles seriam ensinados de que o ato mais grandioso e mais belo é o sacrifício alegre de um peixinho, e que todos eles deveriam acreditar nos tubarões, sobretudo quando esses dizem que velam pelo belo futuro dos peixinhos. Se encucaria nos peixinhos que esse futuro só estaria garantido se aprendessem a obediência. Antes de tudo os peixinhos deveriam guardar-se antes de qualquer inclinação baixa, materialista, egoísta e marxista. E denunciaria imediatamente os tubarões se qualquer deles manifestasse essas inclinações.

Se os tubarões fossem homens, eles naturalmente fariam guerra entre si a fim de conquistar caixas de peixes e peixinhos estrangeiros.As guerras seriam conduzidas pelos seus próprios peixinhos. Eles ensinariam os peixinhos que, entre os peixinhos e outros tubarões existem gigantescas diferenças. Eles anunciariam que os peixinhos são reconhecidamente mudos e calam nas mais diferentes línguas, sendo assim impossível que entendam um ao outro. Cada peixinho que na guerra matasse alguns peixinhos inimigos da outra língua silenciosos, seria condecorado com uma pequena ordem das algas e receberia o título de herói.

Se os tubarões fossem homens, haveria entre eles naturalmente também uma arte, haveria belos quadros, nos quais os dentes dos tubarões seriam pintados em vistosas cores e suas guelas seriam representadas como inocentes parques de recreio, nas quais se poderia brincar magnificamente. Os teatros do fundo do mar mostrariam como os valorosos peixinhos nadam entusiasmados para as guelas dos tubarões.A música seria tão bela, tão bela, que os peixinhos sob seus acordes e a orquestra na frente, entrariam em massa para as guelas dos tubarões sonhadores e possuídos pelos mais agradáveis pensamentos. Também haveria uma religião ali.

Se os tubarões fossem homens, eles ensinariam essa religião. E só na barriga dos tubarões é que começaria verdadeiramente a vida. Ademais, se os tubarões fossem homens, também acabaria a igualdade que hoje existe entre os peixinhos, alguns deles obteriam cargos e seriam postos acima dos outros. Os que fossem um pouquinho maiores poderiam inclusive comer os menores, isso só seria agradável aos tubarões, pois eles mesmos obteriam assim mais constantemente maiores bocados para devorar. E os peixinhos maiores que deteriam os cargos valeriam pela ordem entre os peixinhos para que estes chegassem a ser, professores, oficiais, engenheiros da construção de caixas e assim por diante. Curto e grosso, só então haveria civilização no mar, se os tubarões fossem homens.



quarta-feira, dezembro 29, 2010

COMO EXPLICAR O HOMEM...

Dostoiévski


Como explicar que o homem, um animal tão predominantemente construtivo,seja tão apaixonadamente propenso à destruição?
Talvez porque seja uma criatura volúvel,de reputação duvidosa, ou talvez porque seu único propósito na vida seja perseguir um objetivo, algo que, afinal ao ser atingido,não é mais vida, mas o princípio da morte.

A esquina estava lotada...

Tarcísio Regueira

A ESQUINA ESTAVA LOTADA.
ERA VÉSPERA DE NATAL.
UMA MULHER MALTRAPILHA PEDIA COM A MÃO ESTENDIDA.
SEU NOME ERA MARIA. JUNTO, UM HOMEM DORMIA ALHEIO AO BARULHO IMPIEDOSO DO MUNDO.
SEU NOME ERA JOSÉ. OUVE-SE UM GRITO: LADRÃO! UMA CRIANÇA CORRE COM UM RELÓGIO NA MÃO.
DE REPENTE, UM FREIO.
UM MENINO MORTO. SEU NOME ERA JESUS.
A MULHER OLHAVA PARA AQUELA TRISTE MANJEDOURA.
NÃO HAVIA VACAS, SÓ RATOS.
NÃO HAVIA ESTRELAS, SÓ A LUZ GIRATÓRIA DA POLÍCIA.
NÃO HAVIA REIS.
SÓ HOMENS COM PRESSA, ALHEIOS A TUDO.
É NATAL.....

segunda-feira, dezembro 27, 2010

Esperança - Cruzeiro Seixas

Todo o meu esforço canalizo para a vida.

Não para o equilíbrio, não para as certezas. Caminho suportando nas costas todo o peso da desesperança, pois que a esperança, é ridículo, dramático, que a humanidade ainda precise de tê-la.
Esperança em quê? Em remédios que curem?... Em poemas que se dão de mão em mão?
E as cartas sem resposta?
E os becos sem saída?
E a nova hipocrisia?
E o deus-dinheiro que nos espreita a cada esquina?... e a África?
E a América Latina?...
E todas essas universidades e tantos analfabetos?...
Toda gente sabe a extensão da verdade: surpreendendo a paisagem esfomeada, o gatilho já não precisa do dedo de ninguém.

A Alma Humana - Fernando Pessoa

A alma humana é um manicômio de caricaturas.

Se uma alma pudesse revelar-se com verdade
E nem houvesse um pudor mais profundo que todas as vergonhas conhecidas, definidas
Seria, como dizem, da verdade o poço.
Mas um poço sinistro, cheio de ecos vagos, habitado por vidas ignóbeis, viscosidades sem vida, lesmas sem ser.
Ranho da subjetividade.
Eis a alma.

terça-feira, novembro 23, 2010

O LIVRO DOS DIAS

Letra: Renato Russo
Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá

Ausente o encanto antes cultivado
Percebo o mecanismo indiferente
Que teima em resgatar sem confiança
A essência do delito então sagrado

Meu coração não quer deixar
Meu corpo descansar
E teu desejo inverso é velho amigo
JÁ que o tenho sempre a meu lado

Hoje estão aceitas pelo nome
O que perfeito entregas mas é tarde
Só daria certo aos dois que tentam
Se ainda embriagado pela fome

Exatos teu perdão e tua idade
O indulto a ti tomasse como bênção

Não esconda tristeza em mim
Todos se afastam quando o mundo está errado
Quando o que temos é um catálogo de erros
Quando precisamos de carinho
Força e cuidado

Este é o livro das flores
Este é o livro do destino
Este é o livro de nossos dias
Este é o dia dos nossos amores

Ouça Legião Urbana no volume Máximo.

A Loucura

A Loucura resolveu convidar os amigos para tomarem um café em sua casa.
Todos os convidados foram.
 Após tomarem o café, a Loucura propôs: - Vamos brincar de esconde-esconde?
- O que é isso? perguntou a Curiosidade.
- Esconde-esconde é uma brincadeira em que eu conto até cem e vou procurar. O primeiro a ser encontrado será o próximo a contar.
Todos aceitaram, menos o Medo e a Preguiça.
 1,2,3..., a Loucura começou a contar. A Pressa se escondeu primeiro, em qualquer  lugar. A Timidez, tímida como sempre, escondeu-se na copa da árvore.
A Alegria correu para o meio do jardim; já a Tristeza começou a chorar, pois não achava um local apropriado para se esconder. A Inveja acompanhou o Triunfo e se escondeu perto dele, debaixo de uma pedra. A Loucura continuava a contar e os seus amigos iam se escondendo.
O Desespero ficou desesperado ao ver a Loucura que já estava no noventa e nove, cem... Gritou a Loucura: - Vou começar a procurar.
A primeira a aparecer foi a Curiosidade já que não agüentava mais, querendo saber quem seria o próximo a contar.
Ao olhar para o lado, a Loucura viu a Dúvida em cima do muro, sem saber em qual dos lados se esconderia melhor. E assim foram aparecendo, a Alegria, a Tristeza, a Timidez ...
Quando estavam todos reunidos, a Curiosidade perguntou:
-Onde está o Amor?
Ninguém o tinha visto. A Loucura começou a procurar. Procurou em cima da montanha, nos rios, debaixo das pedras e nada do Amor aparecer. Procurando por todos os lados, a Loucura viu uma roseira, pegou um pauzinho, começou a procurar entre os galhos, e de repente ouviu um  grito. Era o Amor, gritando por ter furado o olho com o espinho.
A Loucura não sabia o que fazer. Pediu desculpas, implorou pelo perdão do Amor e até prometeu servi-lo para sempre.
O Amor aceitou as desculpas. Desde então e até hoje..... 
"O amor é cego, e a loucura sempre o acompanha".

Amo a Geografia minha Loucura..